Eco

O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Dia-a-dia #137


Os amigos próximos conhecem o meu acordar peculiar. De facto, nem sempre sou pacífica nesta coisa de passar do mundo dos sonhos para a realidade. E lidar com estranhos nestas situações pode ser perturbador. Isto a propósito ainda das cirurgias onde fui submetida a anestesia geral. Por uma questão de discrição não vou referir os nomes dos hospitais, nem os nomes das pessoas. A primeira vez foi num hospital privado no Porto. Lembro-me de acordar na maca em movimento e o meu médico me estar a dizer que tinham demorado um pouquinho mais porque tinham dado uns pontinhos na minha hérnia do hiato, que estava em mau sítio. Depois recordo-me de acordar no recobro e de lá estar uma enfermeira pouco simpática à qual me queixei de dores e ela não me ligou. Passado um bocado insisti e perguntei que me tinham colocado alguma coisa no soro e ela disse que sim. Passado um bocado comecei mesmo a ficar aflita e vieram mais pessoas, fizeram-me uma massagem e adormeci. Depois fui acordada por uma miúda amorosa, no quarto individual onde passei a noite, que me convenceu a beber um chá. Durante a noite foi assim, ora fechava os olhos e tinha a sensação que sonhava a alta velocidade, ora era acordada por este anjo, ou por um enfermeiro, que era de Elvas, ambos amorosos, que me convenciam a beber um sumo, um chá ou água. De manhã, uma enfermeira muito simpática ajudou-me a tomar um banho de gato e tudo correu bem. Quando ela se foi embora, aproveitei para fazer algo muito proibido: fumar um cigarro à janela. Depois adormeci a pensar que mais um bocado, os meus pais estariam lá para me irem buscar. Nisto fui acordada por aquele ser que tinha visto no recobro, que entrou disparada no meu quarto a dizer que tinha de lá sair antes do meio-dia, que devia decidir se queria lá ficar mais uma noite internada ou não. Perguntei-lhe as horas, eram dez horas da manhã. Disse-lhe que estava à espera dos meus pais para poder ir falar com o meu médico e referi qual era. O ser saiu do quarto à mesma velocidade com que entrou. Eu com alguma dificuldade levantei-me da cama e fui pelo desconhecido hospital procurar onde estaria o meu médico. Alguém me encontrou num corredor e acalmou-me, referindo que o meu médico já falaria comigo e levou-me para o quarto onde esperei pelos meus pais e pela alta que me foi dada.

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