Eco

O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Poema #76

O PÃO
Há pessoas que amam
com os dedos todos sobre a mesa.
Aquecem o pão com o suor do rosto
e quando as perdemos estão sempre
ao nosso lado.
Por enquanto não nos tocam:
a lua encontra o pão caiado que comemos
enquanto o riso das promessas destila
na solidão da erva.
Estas pessoas são o chão
onde erguemos o sol que nos falhou os dedos
e pôs um fruto negro no lugar do coração.
Estas pessoas são o chão
que não precisa de voar.

Rui Costa - " A Nuvem Prateada das Pessoas Graves". Vila Nova de Famalicão: Quasi Edições, 2005.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Poema #75

LEMBRANÇA DA CASA

não esqueci ainda da casa
os contornos fundamentais

a solenidade da traça
o terraço solarengo
o pé-direito

ouço ainda a voz que lá ecoa
a inflamação do tempo
a reverberar nas portadas

conheço ainda da casa
a memória dos canteiros
e a placa de pedra com o seu nome
a inscrição de origens
que o pai mandou retirar
tremendo a derrocada

João Miguel Henriques - " Isso Passa" . Lisboa: Artefacto, 2011.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012