Eco

O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

domingo, 31 de maio de 2009

Diário gráfico #17





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Textos insones #12

Emergente

Emergente é um artista surgindo, primeiramente, em eventos colectivos cheios de gente, organizados por gente que já foi emergente, os emergentes seniores, que só organizam os eventos com emergentes, para poder dizer que também trabalham com gente. Os emergentes produzem arte política com novas tecnologias, usando títulos em inglês, porque apesar da emergência ser portuguesa, existe sempre a estratégia da internacionalização, uma emergência com carácter universal. Os emergentes produzem multimerdas, com o objectivo de serem sempre coerentes, não se vá dar o caso de deixarem de ser emergentes e fazerem-se gente, numa retrospectiva onde sejam julgados absurdos na sua emergência. A emergência é uma estratégia eficaz e coerente, apesar dos emergentes terem sempre um certo espaço para a incoerência, porque o emergente é um artista enquanto novo. Emergente, à superfície, é um novo detergente: lava velhas nódoas, entranhadas, mas não deixa a roupa branca, não, até porque o sujo já está lá há muito mais tempo. Os emergentes só conseguem deixar a roupa branca quando ela tem cor, o que não quer dizer que eliminem o sujo. A cor, segundo um emergente, é um ornamento artificial, decorativo, formal ou poético. Estas últimas quatro categorias, habitualmente, são colocadas no mesmo saco por um emergente, que na sua detergência é um crítico, questionando sempre o que é artístico, no ponto de vista do seu alargamento, com vista a ampliar o campo da arte para si próprio. O emergente aparenta sempre uma ascese conceptual, é um intelectual que lava daí as suas mãos: matéria é coisa porca, coisa anal, o emergente é muito oral. A estética emergente segue o zeithgeit onde impera o horror aos espaços vazios, optando pela instalação, um coerente e eficaz gesto de acumulação no espaço, com vista à criação de ambientes preenchidos totalmente com o ego, através de uma grande estimulação da visão em movimento, acompanhada por interferências sonoras. O detergente emergente simula combater as nódoas, mas no fundo quer tornar-se uma delas: a verdade é que com o tempo, o emergente deixa de ser detergente, passa a ser gente ou seja gordura sebosa que entranha em qualquer tecido, mesmo os melhores.

Postado no Insónia a 30/7/2005

sábado, 30 de maio de 2009

Diário gráfico #16





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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Diário gráfico #15





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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Textos insones #11

Janela Indiscreta

            Vivo há vinte anos na mesma rua em Lisboa e a estação do renascimento é me sempre anunciada do mesmo modo: o meu vizinho do prédio em frente inicia a sua temporada musical e faz questão de a compartilhar com enorme alegria com todos os habitantes e transeuntes da rua; é verdade, mal começa o bom tempo, ele coloca música numa espécie de sagração da primavera; mas o seu reportório musical não inclui Stravinsky, muito menos Domingos Bomtempo, nada disso, o florescimento das flores e os seus pólenes – que me provoca sempre inflamações, dores de cabeça, otites, espirros e me obriga a tomar drogas para o sistema imunológico se defender do que é excessivamente belo – aqui é anunciado com Demis Russos em altos berros; provavelmente, antes de vir para esta casa já era assim, aquele vizinho já colocava o cantor grego na sua aparelhagem; nem imaginam a alegria que contem o fenómeno, até a patine vinílica dos discos, ou seja aquele som de mastigar batata frita vibra rua fora. Este vizinho é um homem difícil de descrever e classificar, não sei que idade tem, mas de alguns anos para cá, o seu cabelo tornou-se grisalho apesar de usar o mesmo penteado, um rabo-de-cavalo muito longo; antigamente era de tal forma negro que cheguei a pensar que se tratava de uma peruca, mas como o tempo lhe deu aquela patine capilar, deduzo que ou já o pintou e deixou de pintar, ou era assim mesmo naturalmente artificial; ele veste-se sempre de azul-escuro, calças de ganga largas, por vezes à boca-de-sino; no verão gosta de usar socas; é muito alto, forte e tem sempre um peculiar medalhão de ouro ao pescoço – desconfio que se trata de algo esotérico. Quando chega o bom tempo, ele abre todas as janelas da casa, levanta os braços e canta, percorrendo as várias divisões, acompanhando o som da aparelhagem de vinil com uma voz de baixo desalinhada, mas muito potente. Este estranho homem tem família: existe a mãe que parece uma assombração do filho, por vezes aparece enquadrada à janela, a sacudir panos do pó ou a espreitar com ar inquisidor de alma penada que está entre dois mundos, tenho imenso medo dela; existe a mulher, muito magra, morena com o cabelo negro comprido e escorrido, com uns óculos na cara iguais desde a década de 70 e que gosta de se vestir de branco; e ele procriou, tem um filho que é uma mistura dos seus genes com a mulher e só não puxou aos pais no corte de cabelo, agora já é um adolescente; e tem um Ford branco muito velho, com uma enorme colecção de selos de impostos pagos colados no vidro da frente. A sagração da primavera nesta família é também acompanhada por outro ritual ao fim da tarde: a mulher vai para o volante do carro e o homem fica à janela a dar instruções. Cá em baixo, a mulher acelera o motor da máquina e ele à janela ele vai gritando: mais mais mais MAIS MAIS, JÁ CHEGA! Então o motor do carro fica a resmungar, ele desce para a rua, entra no carro com a mulher ao volante e dão uma voltinha aos quarteirões do bairro; o rebento sem semelhanças capilares por vezes acompanha este casal maravilha que é moderno, porque a mulher é que conduz, faz as compras, sai para trabalhar, o homem fica em casa; a anciã ou assombração nunca sai ou pelo menos eu nunca a vi na rua e já vivo aqui há vinte anos, ainda bem porque tenho imenso medo dela. Nunca cumprimentei estes vizinhos, eles também não me cumprimentam, porque será? De qualquer modo, no Inverno sinto a falta do colorido absurdo que dão à rua.

Postado no Insónia a 30/4/2007

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Diário gráfico #14





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Portefólio #5



No verão de 1994, antes de ir para o Canadá participei num projecto do Eurico Lino do Vale intitulado “ Retratos de rua”, integrado na LIS 94. Para tal, pintei um cenário a partir de “ O fado” de Malhoa em que as pessoas podiam tornar-se os personagens do quadro, e o Eurico registava-os em polaróides, com uma técnica fantástica em que a polaróide era impressa em papel, sendo o resultado final muito pictórico e eram vendidas a quem se fazia retratar. Estivemos a maior parte do tempo em frente ao CCB e os transeuntes reagiam bem ao desafio. Lembro-me que o material ficava guardado no CCB e todos os dias íamos para lá numa Vespa, descíamos a ladeira para a porta dos artistas de mota, depois carregávamos a Vespa com o cenário e o material e lá íamos para a porta de entrada. Eu trajava uma saia comprida estilo Severa e o Eurico estava sempre catita, com um colete e porte de fotógrafo de outra época. Foi uma das experiências mais divertidas que tive nestas coisas da criatividade.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Portefólio #4









Após terminar o curso avançado de artes plásticas no Ar.Co no verão de 1993, passei por um período bastante introspectivo: os meus colegas começaram a imigrar para fora de Portugal, alguns amigos que não estavam ligados às artes também. Na altura também tinha vontade de sair daqui e conhecer outras coisas, concorri a uma escola na Holanda, mas não fui aceite. Então, aluguei um pequeno espaço para poder trabalhar, que partilhei com uns colegas de pintura do Ar.Co e inscrevi-me nas cadeiras teóricas das Belas-artes, as que me faltavam para poder passar para o 3ºano. Neste período dediquei-me à fotografia e ao desenho, montei também um pequeno laboratório na casa de banho da minha casa. Fiz desenhos e fotogramas a preto e branco, continuei também a fazer livros, mas de outro modo. Não guardei quase nada do que produzi neste período, apenas os livros e alguns fotogramas, porque no final de 1994 participei num intercambio entre o Ar.Co e uma escola no Canadá onde foi possível desenvolver este trabalho, aqui fotografado, com outras condições técnicas, ele posteriormente deu frutos.

Diário gráfico #13





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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Textos insones #10

Padrões

            Apanho o comboio a correr de madrugada, o transporte romântico, UUUuuuUUU, ainda vou meia a dormir, levo no bolso a segurança do bilhete comprado na véspera, quando ainda estava desperta. Entro, sento-me e quase nem olho a janela, fecho os olhos e deixo-me levar no movimento apenas interrompido por estações anunciadas ao longe: Santarém, pouca-terra pouca-terra, Entroncamento, pouca-terra pouca-terra, Caixarias, pouca-terra e ao mudar de posição, abro os olhos e deparo-me com outros a fixarem-me. Está ali um rapaz a observar-me e volto-me para outro lado. Penso: estive tanto tempo adormecida, anos fechada ao exterior, desleixei-me, maltratei-me e agora que me livrei de 45kg, está ali um puto a galar-me. Abro os olhos e lá está ele à distância a ouvir a sua música, não desvia os olhos, não sei se gosto da situação. A quantas estações ele me observa a dormir? Porquê a mim? Podia entrar numa cena narcísica, os especialista dizem que isso deriva de um forte trauma na fase oral, coisas de desmame. Do pouco que sei, nem a mama tive direito, foi só biberão visto que não houve leite natural para mim. O olhar daquele rapaz está a incomodar-me, ele quer mama. Levanto-me em direcção ao bar, com um café o mundo ficará mais claro. Lembro-me da conversa da minha irmã na véspera, ela vai fazer 40 anos e não quer comemorar. Dizia-me ela que mentalmente não acha que os tem, mas começa a sentir que o corpo não a acompanha, foi operada à vista porque já não conseguia ler os rótulos dos medicamentos na farmácia e mesmo assim ainda vai continuar a usar óculos. Ela tem três filhos, sente dores nas pernas e nas costas ao fim do dia. Sento-me para beber o café e como um quadrado de chocolate. Penso: o que estava a ver aquele rapaz para me fixar com tanta intensidade? Eu vejo-me como uma ferida a sarar, quase uma cicatriz. Como mais um quadradinho e nem acredito, o miúdo também veio para o bar, está ali ao balcão, vem na minha direcção com uma cerveja, senta-se sem pedir licença e em silêncio ao meu lado. Eu olho a garrafa, cerveja logo de manhã, coitado, mais uma vítima de padrões de comportamento. Coitado não, somos todos vítimas de padrões de comportamento. A nós chateiam-nos desde a adolescência para falarmos mais baixo, ouvir com atenção, sentarmo-nos de perna fechada, sermos discretas e gentis senão depois nenhum homem quer casar connosco, temos de ser boas meninas. Eles têm de ser fortes, viris, andar à pancada, passar por rituais onde se torturam animais, beber álcool, engatar gajas, não podem chorar ou ser sensíveis. Eles queixam-se de que nós temos mais atenção e carinho, somos passivas e a afectividade está toda virada para nós, o que é mentira. Nós queixamo-nos de que eles têm mais liberdade e a vida social mais facilitada, o que também é mentira. Ainda bem que certos padrões hoje em dia já estão mais diluídos, mas uma coisa é certa, o sofrimento não desapareceu na espécie humana e deixa mazelas. O rapaz está a mexer no seu leitor de música, reparo que tem umas mãos bonitas, grandes, com os dedos muito compridos. Ele está a desligar aquilo, eu devo ser um vídeo clipe, o melhor é pisgar-me, levanto-me para ir à casa de banho e volto ao meu lugar. Passado um bocado, ele volta, que cerveja rápida, nem deve dar direito a xixi. Desde muito cedo que lhes incutem que as mulheres servem apenas para foder e a nós tentam convencer-nos que existimos apenas para sermos fodidas. Oiço Coimbra, finalmente, retiro a mala e chego ao meu destino. Ao sair penso: és mesmo parva, mulher, vê-se logo que resultas de padrões de comportamento, se fosses gajo não ficavas incomodado, tinhas ali um belo petisco, passarinho frito, dava para chupares a carnoca dos ossinhos das asas.

Postado no insónia a 6/3/2008

domingo, 24 de maio de 2009

Dia-a-dia #9

Depois de uma pequena pausa pós-exposição, na semana passada voltei a pintar. Ontem terminei "Uma natureza-morta social": o título é do amigo Daniel Falb, que recentemente esteve em Lisboa e conversamos bastante sobre estes assuntos e outros; mas ao pintar uma natureza morta assim estava também a pensar num poema do Jorge Aguiar Oliveira. Hoje é domingo e tanto eu como a Lua estamos com uma preguiça que não acaba.

sábado, 23 de maio de 2009

Diário gráfico #12





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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Artes #2



Banksy é um dos meus artistas contemporâneos favoritos.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Leituras #15

Continuo de volta da preciosa Antologia da poesia feminina portuguesa que adquiri na melhor livraria do mundo, e prossigo não com mais uma freira, mas sim com uma aristocrata, Catarina de Lancastre que segundo poeta António Salvado  foi “…viscondessa de Balsemão por seu marido, o político Luís Pinto de Sousa Coutinho, nasceu em Guimarães em 1749 e faleceu no Porto em 1824. Admiradora exaltada do Marquês de Pombal, ao célebre ministro consagrou algumas composições – atitude que não teria agradado demasiado à sua amiga e poetisa Marquesa de Alorna… Aliás, o seu apego às luzes da razão manteve-se sempre vivo ao longo da sua existência: a morte de Gomes Freire inspirou-lhe alguns sonetos e, já septuagenária, saudou com ardor a revolução liberal de 1820 » .( p-78) Segundo o autor , Catarina de Lancastre foi apelidada de «Safo portuguesa», devido ao amor ser o tema dominante das suas composições.

Safo

Safo ao mar se precipita
Por impulso da paixão,
Vinga em si o alheio crime
Da pérfida ingratidão.

Muitos anos respeitado
Foi o penedo fatal
Mas por força dum exemplo
Logo um mal causa outro mal.

Se fizerem assim todas,
Que se vêem desprezadas,
Foram de vítimas tristes
As brancas ondas coalhadas.

Sem ti que vale a firmeza,
Ó santa conformidade?
Tu a perdoar ensinas
Loucuras da humanidade.

Catarina de Lancastre in António Salvado, Antologia da Poesia Feminina Portuguesa, Edições do Jornal do Fundão, 1973. (p-84)

Textos insones #9


Cozinha

            Procura-se homem-a-dias que arrume a cozinha, lave a loiça e caiba no meu avental, que cada dia está mais largo e já não sei o que lhe hei-de fazer. Cozinho com requinte, sirvo calorosamente gelado de noz à sobremesa, agora limpar e arrumar não é comigo, só quando tudo se acumula em excesso e tenho de tomar medidas drásticas. Gosto de compartilhar o estômago e os sonhos. Adoro que me interrompam os sonhos com um café forte e quente. Não gosto de açúcar no café, prefiro um pouco de leite. Sou lenta a acordar, o meu coração também é lento, tenho a tensão sempre muito baixa, mas o aroma matinal do café faz milagres. Os vespertinos fazem-me confusão, mas consigo adaptar-me a eles com alguns limites, sobretudo se só falarem comigo depois de um bom café. Procura-se homem-a-dias porque há dias em que acordo e não gosto de ver ninguém, excepto a Lua que acompanha todas as minhas variações de humor com serenidade e sabe como me há-de acalmar. Nesses dias escrevo, desenho compulsivamente e detesto ser interrompida nos meus sonhos acordados; ou pesadelos. Oiço música que a média das pessoas não aguenta; por vezes oiço música que não se pode partilhar, que habita no meu interior mais sombrio um espaço inatingível; tenho também dias em que sou um barco à deriva no mar e Mahler é das poucas presenças humanas que tolero. Nos dias em que não suporto ver ninguém, viajo no mesmo sítio em pensamentos circulares imparáveis; também tenho dias em que mergulho num deserto de silêncio, encontrando fantasmas nas dunas de areia; nesses dias tenho miragens quando procuro algum oásis ao fim da tarde que me refresque e qualquer ruído me assusta. Procuro um homem que entenda que é a dias porque os dias não são todos iguais para mim; que seja o guardião da minha solidão, como Rilke me fez acreditar que é possível e que também tenha vida própria, força interior, porque só assim o poderei aceitar e fazer feliz; só assim ele me poderá compreender e aguentar. Um bom encontro só é possível entre duas solidões que se respeitam, como dois lagos que repousam um no outro, alimentando-se e mantendo as suas águas calmas. Procura-se homem-a-dias que saiba que em certos dias é melhor deixar-me em paz e sossego. Um lago sozinho seca mais depressa ou quando dois lagos se encontram correm o perigo de transbordarem as suas águas. Procura-se homem-a-dias que reconheça estes sintomas e que em certos dias me obrigue a sair de casa e a viajar nas suas mãos, porque as minhas estão calejadas, por vezes doem e ficam cansadas de criar mundos. Dois lagos quando repousam um no outro, alimentando-se sem agressões e com espaços próprios, mantêm as suas margens alegremente nesse encontro. Procura-se homem-a-dias que por vezes não me deixe cozinhar e me convença com arte e graça a ir jantar fora, a rir e a dançar durante toda a noite.

Texto postado no Insónia a 1/9/2006 e lido a convite dos Margem d'arte no 1º Grandioso Encontro de Pastelaria Marginal Portuguesa a 19/9/2008 no Bar do Manel em Santa Cruz ( Torres Vedras).

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Diário gráfico #11





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No sitemeter #2

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Eco
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Alguém veio parar ao Eco procurando no google. br «eco textos», não sei o que é, mas achei bonito.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Uma casa no tempo #9





























Paredes 
 
A minha casa de paredes altas, a escrita invadiu as paredes, já foram brancas, agora a patine do tempo percorre-as. Em cada parede uma camada de memória, perco-me dentro de casa, procuro as chaves que nunca sei onde estão. Já tive vários chaveiros pendurados nas paredes, mas não resultou. A casa, vale de corvos escrito nas paredes, a outra seara está em Amesterdão. Tenho de voltar à cidade das janelas abertas, estou sufocada por muros altos, caiados, por muralhas de pedra, não suporto os pátios fechados do sul. Preciso de água, quero viver junto ao mar. A minha casa é um porto de passagem, um local perdido onde regresso sempre, de onde fujo do amarelo mortífero da planície. Estou rodeada de amarelo, até as paredes da casa são assim. Acumulo papéis, desorganizadamente, os meus livros têm páginas amarelas, são as paredes da casa, cheias de cicatrizes, de golpes a sarar. Os objectos acumulam-se na casa, como os livros, as pessoas vão e voltam, são como as ondas do mar, os livros ficam empilhados em vários sítios como as rochas. O telefone chama-me, a tua voz liberta-me disto tudo e dizes-me que se aprende muito com as saudades. Os açorianos, por via da dúvida, descrevem esse sentimento como um cortinado roxo que nos cobre o coração. Também, vivem rodeados de água, a ausência numa ilha sente-se com outra intensidade. Eu vivo rodeada de papéis amarelecidos pelo tempo. Raios partam a palavra portuguesa, saudade, porque amamos mais quando estamos distantes?
texto postado no Insónia a 21/8/2005, a ilustração foi postada a 14/6/2006

segunda-feira, 18 de maio de 2009

No escara voltaica

O Pedro S. Martins postou novamente um poema com ilustração aqui da casa, desta vez escolheu uma página do meu diário de 1992. Obrigada.

Diário gráfico #10





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