Eco

O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

quarta-feira, 25 de abril de 2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Rob Riemen. “A classe dominante nunca será capaz de resolver a crise. Ela é a crise!” | iOnline

Rob Riemen. “A classe dominante nunca será capaz de resolver a crise. Ela é a crise!” | iOnline

Rob Riemen em Lisboa: "O medo da elite comercial é que as pessoas comecem a pensar. Porque é que os regimes fascistas querem controlar o mundo da cultura ou livrar-se dele por completo? Porque o poeta é a pessoa mais perigosa que existe para eles. Provavelmente mais perigoso que o filósofo. Quando usam o argumento de que a cultura não é importante e de que a economia não precisa da cultura, é mentira! Isso são as tais políticas de ressentimento, um grande instrumento precisamente porque eles nos querem estúpidos."

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Poema #80

HINO À SOLIDÃO

Diz-se que a solidão torna a vida um deserto;
Mas quem sabe viver com a sua alma nunca
Se encontra só; a Alma é um mundo, um mundo
[aberto
Cujo átrio, a nossos pés, de pétalas se junca.

Mundo vasto que mil existências povoam:
Imagens, concepções, formas do sentimento,
— Sonhos puros que nele em beleza revoam
E ficam a brilhar, sóis do seu firmamento.

Dia a dia, hora a hora, o Pensamento lavra
Esse fecundo chão onde se esconde e medra
A semente que vai germinar na Palavra,
Cantar no Som, flores na Cor, sorrir na Pedra!

Basta que certa luz de seus raios aqueça
A semente que jaz na sua leiva escondida,
Para que ela, a sorrir, desabroche e floresça,
De perfumes enchendo as estradas da Vida.

Sei que embora essa luz nem para todos tenha
O mesmo brilho, o mesmo impulso criador,
Da Glória, sempre vã, todo o asceta desdenha,
Vivendo como um deus no seu mundo interior.

E que mundo sublime, esse em que ele se agita!
Mundo que de si mesmo e em si mesmo criou,
E em cuja criação o seu sangue palpita,
Que não há deus estranho aos orbes que formou.

Nem lutas, nem paixões: ideais serenidades
Em que o Tempo se esvai sob o encanto da Hora...
O passado e o porvir são ânsias e saudades:
Só no instante que passa a plenitude mora.

Sombra crepuscular, que a Noite não atinge,
Nem a Aurora desfaz: rosicler e luar,
Meia tinta em que a Alma abre os lábios de Esfinge,
E o seu mistério ensina a quem sabe escutar.

Mas então, inundando essa penumbra doce,
De não sei que sublime esplendor sideral,
Como se a emanação dum ser divino fosse,
Deixa no nosso olhar um reflexo imortal.

Na vertigem que a vida exalta e desvaria,
Pára alguém para ouvir um coração que bate
No seio mais formoso, o olhar que se extasia
Vê o mundo que nele em ânsias se debate?

É só na solidão que a alma se revela,
Como uma flor nocturna as pétalas abrindo,
A uma luz, que é talvez o clarão duma estrela,
Talvez o olhar de Deus, de astro em astro caindo...

E dessa luz, a flor sem forma, há pouco obscura,
Recebe o seu quinhão de graça e de pureza,
Como das mãos do artista, animando a escultura,
O mármore recebe a sua alma — a Beleza.

Se sofrer é pensar, na paz do isolamento,
Como dum cálix cheio o líquido extravasa,
A Dor, que a Alma empolgou, transborda em
[pensamento,
E a pouco e pouco extingue o fogo em que se
[abrasa.

Como a montanha de oiro, a Alma, em seu
[mistério,
À superfície nunca o seu teor revela;
Só depois de sondado e fundido o minério
Se conhece a riqueza acumulada nela.

Corações que a Existência em tumulto arrebata!
Esse oiro só se extrai do minério candente,
No silêncio, na paz, na quietação abstracta,
Das estrelas do céu sob o olhar indulgente...

António Feijó, in 'Sol de Inverno' (1922)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Aprende-se com os gatos #16

O Sol e a Lua são amigos. Ambos detestam o gato Plácido, que nunca entra dentro de casa.
Este é o Sol, gato simpático que me visita todos os dias.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Dia-a-dia #108

Hoje fui comprar cigarros àquela tabacaria de Lisboa em vias de extinção e fui atendida pelo dono gato de fofas barbas brancas: é sempre muito afável e não havia a minha marca. Então, recomendou-me "elixyr" que é parecido. Perguntei-lhe se esse elixir também mata, a que respondeu que sim, mas é mais barato e americano. Também me informou que muita gente se está a passar para ele, como o senhor que lá estava à porta a fumar, que prefere o vermelho, mas também existe mentol. Respondi-lhe que o vermelho é forte, mentol é para rebuçados, e o azul veio substituir o light porque era politicamente incorrecto. Comprei "elyxir azul", que mata suavemente. Despediu-se de mim afirmando que o problema dos nossos tempos está precisamente aí: o politicamente correcto.