Eco

O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

domingo, 9 de setembro de 2018

Dia-a-dia#287

Sonhei que saía das Belas-Artes e ao contrário do habitual, não tinha de apanhar um autocarro para casa ou o metro, porque apanhei boleia. Já no interior do veiculo percebi que se tratava de uma carrinha e perguntei em que direcção iam. Uma rapariga informa-me que passavam pelo Campo Pequeno todos os dias e por isso, me podiam deixar no caminho. E diz-me que fazem este percurso diariamente, poderei apanhar boleia com eles. Pergunto se tenho de contribuir para a gasolina, responde que sim, e posso depois usar as facturas no IRS. Expliquei-lhe que estive isenta por causa da bolsa da FCT e olham-me desconfiados. A rapariga diz-me que não me poderão incluir naquele transporte, vão dar prioridade a outra colega, porque necessitam de alguém com outro perfil, para terem as contas na ordem. Expliquei-lhes que já não tinha a bolsa, mas estavam intransigentes, param a carrinha e largam-me na Av. da Liberdade. Acordei a achar que tenho de caminhar com os meus próprios pés.

domingo, 19 de agosto de 2018

Dia-a-dia #286





Federico García Lorca (5 de Junho de 1898 - 18 de Agosto de 1936)

sábado, 18 de agosto de 2018

Poemas # 126

FEDERICO GARCÍA LORCA

Como quer el-rei ter rosas
sem incêndios nos caminhos?

Sombra de rosa o teu corpo
nocturno sol vagabundo

A morte de García Lorca
transforma em rosas o vinho

transforma em rosas o pão
a água em rosa de lume

Transforma a terra de espanha
numa rapariga nua

Cantas ou crescem os rios
da minha pátria salgada

potro de cal e mar vivo
pequena espanha cercada

E parte-se o corpo do mar
parte-se a festa do vinho

Como quer el-rei ter rosas
sem incêndios nos caminhos?

Miguel Serras Pereira. "Todo o Ano", Porto, Limiar, 1990

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Dia-a-dia # 285





Que bem que o Sting canta o John Downland.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Dia-a-dia #284

Eutanásia: só se pode estar contra ou a favor? Detestei ver como este assunto delicado nos últimos dias foi discutido  a preto e branco. Havia os do sim à vida a puxar dos galões morais, a vida é sagrada, o horror da eutanásia é um assassinato ou crime, algo que rejeito totalmente. E os que defendem o direito a uma morte digna, a referirem a liberdade de opção individual, onde o pedido de morte perante o sofrimento extremo é encarado como um direito, colocavam-se em posição de vanguarda, acusando quem estava contra de conservador. Pois eu faço parte do pessoal que tem dúvidas sobre a legalização da eutanásia, e rejeito totalmente o discurso de quem estava contra a eutanásia. O bom do debate é que trouxe a público que já existe o testamento vital, algo que em caso de ter uma doença terminal eu iria recorrer. E fiquei também a saber, que existe a sedação paliativa terminal aplicada em casos extremos de sofrimento. É bom saber que estas opções já existem e gostava que fossem mais divulgadas e debatidas, porque assuntos de vida, dor e morte, implicam uma visão mais alargada do que rivalidades entre clubes de futebol ou esquerda direita e centro. O mundo não é feito apenas de retórica, de facto. A aplicação da sedação paliativa terminal  nos casos extremos de sofrimento ficará muito caro ao SNS? Será muito mais barato legalizar a eutanásia? Por aqui andam as minhas dúvidas. Sobre a sedação paliativa terminal ler aqui

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Dia-a-dia #283

Sonhei que necessitava de comprar material de desenho e a loja estava cheia, havia imenso movimento de pessoas ao balcão, aquilo era uma balbúrdia. Quando finalmente me atenderam, pedi lápis e um bloco de folhas A4. O vendedor olhou para mim com ares de que sabia tudo sobre materiais artísticos e informa-me sobre os vários pacotes que agora existiam ali à venda. Havia o pacote 'Amadeo' que incluia um bloco com cinquenta folhas, lápis de cores, cola e também o pacote 'Almada',... que tinha esquadros com vários ângulos, e mostrava-me um dos exemplares de 30º e 60º, lapiseiras de várias espessuras, as borrachas eram brancas. O vendedor continuava a impingir-me coisas e dizia os vários preços das promoções. Eu já estava furiosa viro-me para ele e pergunto: já reparou que não sou uma consumidora tipo? Volto as costas à confusão e acordo a pensar que já não se pode ir à loja comprar lápis e papel porque ficamos mal vistos nesta sociedade onde o ser foi substituido pelo ter. E porque é que havia promoções com nomes de pintores portugueses?

segunda-feira, 21 de maio de 2018