Eco

O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Dia-a-dia #279


Esta fotografia diz mais que mil palavras.

domingo, 22 de abril de 2018

Dia-a-dia #278





As coisas que se encontram na net, esta peça do Lopes-Graça é velhaca, era assim que o compositor chamava às músicas difíceis de interpretar.  Estive a cantar nos contraltos neste concerto em  Egér na Hungria, em 2012. Lembro-me que a seguir os anfitriões nos ofereceram uma prova de vinhos da região. E estávamos de volta dos vinhos todos contentes, quando se aproximou de mim um homem já com uma certa idade, e me preguntou a opinião. Eu fui direta ao assunto: achei os brancos muito ácidos, mas avisei-o que sou uma esquisitinha em matéria de vinhos brancos. Os tintos tinham uma personalidade forte e gostava. Ele concordou comigo e fez-me perguntas sobre os vinhos portugueses. Falei-lhe das várias regiões e das suas diversidades. Entretanto afastou-se e o meu maestro disse-me que era o presidente da câmara. Sou mesmo desbocada, fui indelicada a criticar logo os brancos na presença do principal anfitrião. Mas reapareceu com uma garrafa de tinto de reserva, explicou-me que os tintos tinham uma casta chamada  'sangue de boi', que caracterizava os vinhos da região, não me lembro como se dizia em húngaro porque é uma língua lixada. O tinto de reserva era extraordinário. Conversámos mais sobre vinhos e ele agradeceu-me, porque ia de férias a Portugal e assim já tinha umas pistas para procurar bons vinhos.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Dia-a-dia #277

Vinha para casa com os sacos das compras do supermercado e em pleno jardim do Campo Pequeno, neste dia quente, estava um bando de pinguins fardado a rigor, a praxar um grupo de miúdos. O ritual era militarista, o pinguim da colher de pau urrava ordens, os miúdos tinham de fazer gestos iguais, contavam em alto e rematavam com um 'Ai!' uníssono. Aproximei-me e disse-lhes bem alto: "Isso é que é brincar ao fascismo!?!?". Parou tudo. Pousei os sacos no chão, cruzei os braços e fiquei em silêncio a ver se me respondiam. Os miúdos ficaram na mesma posição virados para os pinguins. Os pinguins começaram a bichanar entre eles e elas e com risinhos nervosos. Os miúdos estavam virados em frente, mas espreitavam com os olhos na minha direcção, até o pinguin da colher dizer, num tom baixo, para não ligarem. Encolhi os ombros, peguei nos sacos e abalei. Quando já estava na minha rua recomeçou a parada. Pensei:mas porque é que fui mandar a boca se é igual? Bom, pelo menos tentei fazer alguma coisa.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Dia-a-dia #276

Para além do vento levantar as porcarias que caem dos plátanos e voam por todo o lado, fazem cósegas, dão comichões, fazem os olhos chorar e dão cabo da respiração; os animais e vegetais estão reunidos em torno da arena raios que a partam, inaugurou a temporada com fados e cornetas e os Maranata cantam mal e sempre à mesma hora, espero que se calem também pontualmente.

Dia-a-dia #275

A primeira vez que li a «Aparição» de Virgílio Ferreira foi numas férias da Páscoa, estava em Lisboa a visitar os meus irmãos mais velhos que viviam no apartamento da minha avó Ana. Encontrei o livro no quarto do meu primo Luís, que tinha a coleção RTP (ele não o leu de certeza, nem deu por lho gamar). Tinha catorze anos e ainda vivia em Évora. Mais tarde voltei ao livro e vou continuar a voltar de certeza. Hoje fui bastante reticente ver o filme. Foi uma grande surpresa: a fotografia lindissima, gostei dos actores, do guarda-roupa, decors e ambientes, reconheci muitos sítios, as ruas de Évora, os sinos da Sé. O Fernando Vendrell está de parabéns, é um belo filme, a não perder.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Poemas # 125

Poemas quotidianos

como o sol
como a noite

como a vontade de comer
e o sono

como as preocupações
e o amor

e porque saio à rua
e trabalho
diariamente

António Reis. “Poemas quotidianos” (1957). Lisboa: Tinta da China, 2017.p.27

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Dia-a-dia #274

Sonhei que o júri do meu doutoramento não conseguia ver as imagens que se encontram em anexo na tese, em formato digital, porque estavam encriptadas. Que absurdo! Acordei a pensar que agora ao menos aparecem situações relacionadas com a tese de doutoramento no meu subconsciente, em vez das caves da escultura.