Eco

O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Dia-a-dia #281

IIIIIIIIiiiiiiiiiiuuuuuuuppppppiiiiiiIIIIIII voltar a cantar no CCUL e o ensaio encerrou com uma peça de John Cage, poema de Gertrude Stein opá opá opá opá opá opá opá opá opá

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Clara Menéres (1943-2018)


Clara Menéres. «Mulher-Terra-Vida» (1977). Madeira, terra, acrílico e relva. 300x180x90cm. Escultura exposta na «Alternativa Zero» e reconstruída em 1997 no Museu de Serralves, Porto.

sábado, 5 de maio de 2018

Dia-a-dia # 280

E voltei a sonhar com as caves das Belas-Arte. Desta vez ainda estava no terceiro ano de escultura. Tinha assistido às avaliações do quinto ano e para variar, era uma desgraça, o professor estava a tratar muito mal os alunos, dizia que ali nem se tinham feito esculturas, era tudo demasiado bidimensional, ninguém tinha cumprido o programa. Era a razia total. Estava a sentir-me desorientada, não sabia o que fazer. O meu projecto era realizar naturezas-mortas tridimensionais, tinha feito um pião dos antigos em madeira como aqueles que agora estão nos portas-chaves das salas, mas numa escala como deve de ser, e tinha preenchido as superficies com uma corda, estava a ficar com uma textura bonita. Os colegas avisam-me que o professor nos tinha deixado um poema para ilustrarmos, em formato digital. Fomos ver o que era em conjunto, não era nenhum poema, era um filme com um interior de uma casa, onde os espaços estavam sobrepostos. Ao ver aquilo achei que se tratava de um enigma, e que aqueles espaços se poderiam relacionar através da geometria. Não queria voltar a fazer nada que fosse geométrico, mas o horror era existir um programa para cumprir e não o conseguiamos descodificar. E se colocassemos alguma questão eramos insultados, tal como já tinhamos visto na sala do quinto ano. Acordei a pensar que não me livro das caves da escultura, mesmo depois de terminado o doutoramento. E a geometria, o que andaria ali a fazer?

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Dia-a-dia #279


Esta fotografia diz mais que mil palavras.

domingo, 22 de abril de 2018

Dia-a-dia #278





As coisas que se encontram na net, esta peça do Lopes-Graça é velhaca, era assim que o compositor chamava às músicas difíceis de interpretar.  Estive a cantar nos contraltos neste concerto em  Egér na Hungria, em 2012. Lembro-me que a seguir os anfitriões nos ofereceram uma prova de vinhos da região. E estávamos de volta dos vinhos todos contentes, quando se aproximou de mim um homem já com uma certa idade, e me preguntou a opinião. Eu fui direta ao assunto: achei os brancos muito ácidos, mas avisei-o que sou uma esquisitinha em matéria de vinhos brancos. Os tintos tinham uma personalidade forte e gostava. Ele concordou comigo e fez-me perguntas sobre os vinhos portugueses. Falei-lhe das várias regiões e das suas diversidades. Entretanto afastou-se e o meu maestro disse-me que era o presidente da câmara. Sou mesmo desbocada, fui indelicada a criticar logo os brancos na presença do principal anfitrião. Mas reapareceu com uma garrafa de tinto de reserva, explicou-me que os tintos tinham uma casta chamada  'sangue de boi', que caracterizava os vinhos da região, não me lembro como se dizia em húngaro porque é uma língua lixada. O tinto de reserva era extraordinário. Conversámos mais sobre vinhos e ele agradeceu-me, porque ia de férias a Portugal e assim já tinha umas pistas para procurar bons vinhos.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Dia-a-dia #277

Vinha para casa com os sacos das compras do supermercado e em pleno jardim do Campo Pequeno, neste dia quente, estava um bando de pinguins fardado a rigor, a praxar um grupo de miúdos. O ritual era militarista, o pinguim da colher de pau urrava ordens, os miúdos tinham de fazer gestos iguais, contavam em alto e rematavam com um 'Ai!' uníssono. Aproximei-me e disse-lhes bem alto: "Isso é que é brincar ao fascismo!?!?". Parou tudo. Pousei os sacos no chão, cruzei os braços e fiquei em silêncio a ver se me respondiam. Os miúdos ficaram na mesma posição virados para os pinguins. Os pinguins começaram a bichanar entre eles e elas e com risinhos nervosos. Os miúdos estavam virados em frente, mas espreitavam com os olhos na minha direcção, até o pinguin da colher dizer, num tom baixo, para não ligarem. Encolhi os ombros, peguei nos sacos e abalei. Quando já estava na minha rua recomeçou a parada. Pensei:mas porque é que fui mandar a boca se é igual? Bom, pelo menos tentei fazer alguma coisa.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Dia-a-dia #276

Para além do vento levantar as porcarias que caem dos plátanos e voam por todo o lado, fazem cósegas, dão comichões, fazem os olhos chorar e dão cabo da respiração; os animais e vegetais estão reunidos em torno da arena raios que a partam, inaugurou a temporada com fados e cornetas e os Maranata cantam mal e sempre à mesma hora, espero que se calem também pontualmente.