Eco

O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Dia-a-dia #233

E voltei a sonhar que ainda estava nas caves das Belas-Artes, desta vez na oficina de metais, era só homens a trabalhar, pareciam uns bate chapas. Eu não conseguia fazer nada, nem sabia o que fazer. Nisto apareceu o professor que era um verdadeiro troglodita de fato-de-macaco, estava a dar instruções sobre uma peça em cima da mesa. Não percebia nada do que o homem estava a grunhir e aquilo era tudo com ângulos de 90º, mas como era possível? Depois encontrei uma estudante estrangeira, ela era fotógrafa. Havia uma coincidência engraçada, ela também fazia fotogramas e utilizava textos. Foi um alívio, podia falar com alguém que me entendia, contei-lhe que tinha usado um texto do Rainer Maria Rilke num fotograma no Canadá, um texto feminista escrito no século XIX, mas ela não conhecia o autor. Disse-lhe também que estava a pensar mudar para pintura, porque não conseguia fazer nada nas caves. E ela avisou-me num português macarrónico: lá em cima na pintura tens de aturar as cabras das professoras. Subi ao primeiro andar onde estavam as mulheres e o panorama era deprimente: pintavam retratos, paisagens, naturezas-mortas com se tivessem sido obrigadas a parar no século XIX. Nisto reparo que um dos lavatórios estava entupido, a deitar água para fora e dirigi-me para lá. Com muito esforço consegui quase retirar um compasso antigo do meio da água colorida, dos que se utilizam para tirar medidas a volumes, estava quase quando acordei em pânico.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Dia-a-dia #232

E voltei a sonhar que ainda estava nas caves das Belas-Artes, mas ao contrário do que é costume, não estava atrofiada com o ambiente húmido e sinistro dos vultos cobertos por sacos de plástico negros. Sei que tinha de modelar um relevo, vi as tinas com o barro em preparação. E retirei grandes pedaços para cima de uma das mesas para o amassar. Acordei a pensar: eu sei fazer isto, vão ver como é quanto coloco as mãos na massa. Acho que foi a primeira vez que acordei deste sonho recorrente com capacidade de reacção, em vez de estar em pânico.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Dia-a-dia#231

Na varanda da BN, quase a adormecer, ouvi novamente uma rola turca, parece um cuco mas não é, segui o UuuuUuuuUuuuUuuu....... e já estava no pinhal, cheirava a férias com a serra de Sintra ao longe e passou um maldito avião, que me obrigou a voltar ao barroco num estrondo.