Eco

O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

terça-feira, 30 de março de 2010

Artes #17

Aurélia de Sousa (1865-1922), Santo António, óleo s/ tela, 189x99cm, Casa Museu Marta Ortigão Sampaio, Porto

Aurélia de Sousa nasceu no Chile e instalou-se na Quinta da China no Porto com a família, ainda em criança; estudou desenho com Costa Lima, posteriormente, frequentou a Academia de Belas-Artes do Porto sendo discípula do naturalista Marques de Oliveira. Em 1900, partiu para Paris com a sua irmã Sofia, também pintora, e estudou na Academia Julien, com Jean Paul Laurens e Benjamin Constant, regressando ao Porto em 1902. Este excelente Santo António é um auto-retrato da pintora, que podem ver na maravilhosa Casa Museu Marta Ortigão Sampaio no Porto, onde se encontram também pinturas da sua irmã.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Dia-a-dia #68

ehehehehe a família quer oferecer-me um telemóvel.

sábado, 27 de março de 2010

Dia-a-dia #67

«Mas muitas vezes não há nada mais interesseiro que essa gente. Eu bem sei, tinha uma amiga que amou uma espécie de poeta. Nos seus versos só falava de amor, do céu, das estrelas. Ah! Como foi enganada! Ele devorou-lhe mais de trezentos mil francos.» (Proust, Do lado de Swann)

sexta-feira, 26 de março de 2010

No sitemeter #52

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Alguém chegou a esta casa no tempo procurando pregar partidas a quem pede sempre cigarros e encontrou eco.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Dia-a-dia #65

Que bonito: D. Bebé estava à janela com o filho e abraçaram-se, fui logo a correr buscar a máquina, mas já só fotografei o vizinho sozinho à janela. Que pena!



segunda-feira, 22 de março de 2010

No fio de Ariadne #7

Auto-retrato, 2010, técnica mista s/ papel, 30x21cm
foi executado para o DaDa Montreal Collective

sexta-feira, 19 de março de 2010

Leituras #21

Nunca mais postei nada por aqui relacionado com leituras; não por não ter lido, pelo contrário, desde que entrei para o doutoramento, sou obrigada a ler muito, algo que nem sempre me dá prazer. Mas entre aulas e relatórios que vou escrevendo, acontecem coisas engraçadas: uma delas foi a conferência da professora Maria João Ortigão, sobre a cultura nos finais do séc. XIX em Portugal, onde me foi revelado um texto extraordinário: «Carta a Anatólio Camels» de Ramalho Ortigão, que foi publicada posteriormente no segundo volume de «As Farpas». Esta carta teve origem no que vou apelidar de O caso bulbo: a filha de Ramalho Ortigão, Berta, era pintora e participou em exposições dos naturalistas; numa delas, mostrou um pequeno quadro, com fundo escuro, onde representou três cebolas alinhadas. Anatólio Camels, escultor académico, conhecido por ser o autor do frontão da Rua Augusta em Lisboa, reparou no quadro e criticou-o, considerando cebolas um tema feio. Ramalho Ortigão respondeu-lhe com o pseudónimo de Simplício Feijão, defendendo que as cebolas são belas, como um horticultor o faria. Na carta, desenvolveu um registo em defesa do naturalismo, de uma forma muito criativa, alargando o campo de acção para além deste, ao colocar questões e interrogações com uma enorme profundidade. Anatólio Camels tinha censurado a pintura de Berta, afirmando: “Tão lindas mãozinhas mexendo em cebolas!...Um bulbo feio, unicamente bom para fazer chorar as cozinheiras…Quanto mais agradável seria copiar flores ou frutas!”. Ramalho Ortigão respondeu-lhe com sarcasmo, alertando-nos de que as mulheres não têm mãozinhas: “ Mãozinhas são as de carneiro, não são de gente pensante e séria”; também fez uma lista de obras de arte que têm cebolas e outros utensílios horrorosos por tema, comentando: “ Todas estas obras cairiam fatalmente reprovadas ante a censura de V.Exª, porque não só há cebolas em algumas delas, mas também há muitas outras provisões de boca, há inúmeros instrumentos e utensílios asquerosos de cozinha, há estrebarias com todos os seus acessórios, há animais imundos e animais incontinentes, há toda a espécie de sevandijas, há defuntos, há animais mortos, há bombas portáteis molierescas e há vasos rabelaiseanos, cujo aspecto carnavalesco, inteiramente ché-ché, infunde nas imaginações desregradas uma alegria perversa.” A esta lista de obras, acrescentou os grandes pintores que trataram temas feios, frisando que, no Hermitage em São Petersburg , existe a bela pintura de Paul Potter intitulada “ La vache qui pisse”; deste modo, o seu pseudónimo foi um pouco desmascarado, só um horticultor muito rico e viajado poderia argumentar assim. Também criticou o platonismo, ao considerar que cada filosofia tem o seu belo privativo; para tal, o horticultor utilizou as cartolas e chapéus da sua vida, como exemplo do belo definido pela moda e gosto:” Todos estes chapéus – à excepção unicamente do último, o mais novo, com o qual ouso ainda passar na via pública sem escândalo que perturbe sensivelmente a ordem – são de uma hediondez pungitiva, profunda, verdadeiramente aterradora. Não são simplesmente feios, são disformes, são aleijados. Acham-se pelo aspecto geral fora da natureza e fora da fisiologia, são verdadeiros sintomas mórbidos, legítimos documentos de patologia cerebral.”. Esta parte do texto deveria ser uma referência para qualquer critico de arte decente. Mas o que mais me impressionou no texto foi a defesa de que o artista deve ser sincero na sua relação com a sociedade, deve ser honesto no que produz, afirmando no final que “ A arte é a eterna desinfectante da podridão onde toca”. Grande Ramalho, visionário, acho que a boa arte continua a ser isso mesmo. E viva às cebolas pintadas pela Berta.

No fio de Ariadne #6

para o César Figueiredo
Tec-Tec, Técnica mista s/ papel, 42x30cm, projecto realizado para suposse that 2008

quinta-feira, 18 de março de 2010

Artes #16


Étienne-Louis Boullée «Cenotáfio de Newton» (1784) - projecto utópico de um monumento funerário em homenagem a Newton. Posteriormente, os planetários surgiram a partir desta máquina visual de projecção do mundo. Este projecto de arquitectura tinha a intenção de envolver os sujeitos num espaço que simbolizava o infinito: na sua versão diurna estaria uma esfera pendurada ao centro, com um modelo do universo semelhante ao de Johannes Kepler(1571-1630), iluminado com luz natural; na parte inferior ao centro estaria uma plataforma representando Newton, mas não estaria lá o seu corpo - tratasse de uma homenagem à ausência de Newton, num espaço cenográfico; esta plataforma estaria envolta em fumo, para criar um ambiente diferente. Na versão nocturna, a luz entraria pelas ranhuras nas paredes laterais da esfera, criando assim uma projecção nocturna do universo no espaço.


No sitemeter #52

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Alguém chegou a esta casa no tempo procurando sobreiros distancias as partilhas e encontrou eco.


quarta-feira, 17 de março de 2010

Poema #56

LOUVOR E SIMPLIFICAÇÃO DE ÁLVARO CAMPOS

Há uma hora, há uma hora certa
que um milhão de pessoas está a sair para a rua.
Há uma hora, desde as sete e meia horas da manhã
que um milhão de pessoas está a sair para a rua.
Estamos no ano da graça de 1946
em Lisboa, a sair para o meio da rua.
Saímos? Mas sim, saímos!
Saímos: seres usuais, gente-gente!
olhos, narinas, bocas,
gente feliz, gente infeliz, um banqueiro, alfaiates, telefonistas, varinas, caixeiros desempregados
uns com os outros, uns dentro dos outros
tossicando, sorrindo, abrindo os sobretudos, descendo aos mictórios para apanhar eléctricos,
gente atrasada em relação ao barco para o Barreiro
que afinal ainda lá estava apitando estridentemente,
gente de luto, normalmente silenciosa
mas obrigada a falar ao vizinho da frente
na plataforma veloz do eléctrico em marcha,
gente jovial a acompanhar enterros
e uma mãe triste a aceitar dois bolos para a sua menina.
Há uma hora, isto: Lisboa e muito mais.
Humanidade cordial, em suma,
com todas as consequências disso mesmo
e a sair a sair para o meio da rua.

E agora, neste momento - que horas são? –
a telefonista guarda o baton na mala usa os auscultadores liga electricamente Lisboa a Santarém
e começou o dia
o pedreiro escalou para o telhado mais alto e cantou qualquer coisa
para começar o dia
o banqueiro sentou-se, puxou de um charuto havano, pensou um bocado na família
e começou o dia
a varina infectou a perna esquerda nos lixos da Ribeira
e começou o dia
o desempregado ergueu-se, viu chuva na vidraça, e imaginou-se banqueiro
para começar o dia
e o presidiário, ouvindo a sineta das nove,
começou o seu dia sem dar inicio a coisa alguma.
Agora fumo, trepidação,
correias volantes de um a outro extremo da fábrica isolada,
cigarros meio fumados em cinzeiros de prata,
bater de portas - pás! - em muitas repartições,
uma velha a morrer silenciosamente em plena rua
e um detido a apanhar porrada embora acreditem nele.
Agora pranto e pranto
na bata da manucure apetitosa do salão Azul.
Agora, regressão, milhões de anos para trás,
patas em vez de mãos, beiços em vez de lábios,
crocodilos a rir em corredores bancários
apesar das mulheres terem varrido muito bem o chão.
Agora tudo isto e nada disto
em plena e indecorosa licenciosidade comercial
pregando partidas, coçando, arruinando, retorcendo o facto atrás dos vidros
- um tiro nos miolos e muito obrigado, sempre às ordens!
(a velha já morreu e no seu leito de morte
está agora um automóvel verdadeiramente aerodinâmico
e a tocar telefonia: and you, and you my darling?)
Há uma hora, Isto! Há duas, ISTO!
E eu?
Eu, nada. Eu, eu, é claro...

Paro um pouco a enrolar o meu cigarro (chove)
e vejo um gato branco à janela de um prédio bastante alto
Penso que a questão é esta: a gente - certa gente - sai para a rua,
cansa-se,
morre todas as manhãs sem proveito nem glória
e há gatos brancos à janela de prédios bastante altos!
Contudo e já agora penso
que os gatos são os únicos burgueses
com quem ainda é possível pactuar -
vêem com tal desprezo esta sociedade capitalista!
Servem-se dela, mas do alto, desdenhando-a...
Não, a probabilidade do dinheiro ainda não estragou inteiramente o gato
mas de gato para cima - nem pensar nisso é bom!
Propalam não sei que náusea, retira-se-me o estômago só de olhar para eles!
São criaturas, é verdade, calcule-se,
gente sensível e às vezes boa
mas tão recomplicada, tão bielo-cosida, tão ininteligível
que já conseguem chorar, com certa sinceridade,
lágrimas cem por cento hipócritas.

E o certo é que ainda têm rapazes de Arte, gente
que pôs a alegria a pedir esmola e nessa mesma noite foi comprar para o cinema
porque há que ir ao cinema, ele é por força, é por amor de Deus, ah,
não! não! isso não!, não se atravessem nesta bilheteira!!
Vamos estar tão bem! Vai tudo ser Tão Bonito!
Ah, e quem é que, vê o logro? A quem é que isto cheira a ranço?
Porque é que a freguesa de Panos Limitada não exige três quartas de cinema
e sim três quartas partes pretas de lã carneira?
Porque é que a pianista compra do Alves Redol
quando está a pensar nas pernas e no peito do louro galã yankee?
E porque raio despede o senhor Director três humílimos empregados
quando a verdade é que já lá vão três meses e ainda
não viu um que lhe enchesse as medidas?

Com certa espécie de solidariedade
lembro-me de ti, Mário de Sá-Carneiro,
Poeta-gato-branco à janela de muitos prédios altos
Lembro-me de ti, ora pois, para saudar-te,
para dizer bravo e bravo, isso mesmo, tal qual!
Fizeste bem, viva Mário!, antes a morte que isto,
viva Mário a laçar um golpe de asa e a estatelar-se todo cá em baixo
(viva, principalmente, o que não chegaste a saber,
mas isso é já outra história...)

E com uma solidariedade muito mais viva
lembro-me de ti, meu vizinho de baixo,
sapateiro-gato-branco mas no rés-do-chão, desta vez...
É curioso que não te possas suicidar
só porque a tua janela está ao nível do mundo
e que cantes alegremente de manhã à noite
com uma casa de seis andares em encima de ti.
Também tu foste empurrado, também te disseram: Fora, gato!
Mas achaste isso quase natural (e não o é, deveras?)
E agora, guardando em ti todas as tuas grandes qualidades
vais vivendo um pouco à margem, um pouco no quinto andar...

Deito fora o cigarro que já me sabia a amargo
e decido-me a andar mas para quê ? Mas para onde?
As lojas estão todas abertas mas nunca se viu coisa
tão fechada
Ah! heróis do trabalho, que coisas raras fazeis!
Não sou um proletário vê-se logo
mas odeio cordialmente a gataria
e quanto a crocodilos, nem os do Jardim Zoológico
me atraem
quanto mais estes! E aqui é que começa o embróglio...

O pouco amor que eu tive à burguesia
deixei-o todo numa casa de passe
quando me perguntaram: quer assim ? Ou assim ?
E agora, era fatal, falto ao escritório,
falto ao escritório, pontualmente, todas as manhãs.
Mas vejamos, ó minha alma, se podes, arrumemos
um pouco a casa escura que te deram.
Eu estudei música, como toda a gente

(ou talvez um pouco mais do que toda a gente?)

Não. Por aqui não nos entenderemos.
Estudemos outro papel. Outro fim. Outras músicas.

Recomecemos: Um:
Estes versos não querem de modo algum ser versos
porque quem hoje em Portugal quer de algum modo
fazer versos versos está em muito maus lençóis

(este o primeiro artigo da minha constituição)
Segundo:
Apesar de tudo, saí para a rua com bastante naturalidade
e que vi eu? Que é isto? (E que esperava eu ver?)

Terceiro:
(e aqui começa, talvez, o desembróglio)
vi também um vapor que ia para o Barreiro
e tive pena de não ir com ele
mas não sou um proletário (não, ainda não)
e atravessar a nado quem é que disse que pode?

Fiquei-me a vê-lo: primeiro junto ao cais
com um certo ar simpático de proletário dos mares
e apinhado de gente - tanta espécie dela!
Depois a meio do rio, destacado e nítido,
depois um ponto vago no horizonte (ó minha angústia ! )
ponto cada vez mais vago no horizonte

e de repente, ao virar uma esquina,
já depois de outra esquina,
vejo uma nova espécie de enforcado
um homem novo em cima de um escadote
a colar afixar cartazes deste género:
VOTA POR SALAZAR

Páro. Páro de novo. Pararei sempre enquanto
afixarem cartazes deste género.
Curioso, curiosíssimo este género.
Um chefe não é grande pelo nome que arranjou.
Salazar Xavier Francisco da Cunha Altinho isso que importa.
Um chefe é grande pelas suas obras, pelo amor que inspira.
Pois os fascistas os nossos bons fascistas
querem que a gente vote por um nome
por um nome calcula essa coisa qualquer que qualquer fulano tem!
Vota por Salazar ora pois ó meu povo
vota por sete letras muito bem arrumadas em três sílabas.

Deito a cabeça para trás para deixar sair a gargalhada
e aproximo-me do homem em cima do escadote
aproximo-me tanto que ele nota
alguém que se aproxima
e o braço cai-lhe, grosso, pingando água num balde
...............................................................................
dá os bons dias a este irmão, a este bom irmão
que anda a colar cartazes para não morrer de fome!…
...............................................................................

Mário Cesariny
in Uma grande razão - Os poemas maiores, Assírio & Alvim

Encontrado aqui

Dia-a-dia #64

O Eco faz hoje 1 ano!

terça-feira, 16 de março de 2010

Textos insones #27

A Cidade dos Anjos


Voei para Berlim na semana passada e acho que ainda não aterrei aqui no chão; há muito que desejava as asas desta cidade, talvez desde que vi o filme de Wenders e o destino já me tinha pregado partidas engraçadas em relação a ela. Antes de partir, a amiga que tem sido até agora o pretexto para voar para as terras germânicas avisou-me que Berlim é a cidade dos anjos e que no seu enorme espaço encontramos as mesmas pessoas em sítios totalmente diferentes. Desta vez não foi possível encontrarmo-nos na Alemanha e viajei com o meu amigo, contei-lhe esta história antes de aterrarmos por lá e ele não se esqueceu. Assim que iniciámos os nossos passeios nas ruas de Berlim, ele chamou-me a atenção para os transeuntes que reencontrávamos nos locais mais inesperados; alertou-me, por exemplo, que um grupo no metro, sentado ao pé de nós era o mesmo que estava no aeroporto, quando fomos fumar um cigarro lá fora. Eu não me lembrava deles, nem os reconheci. Antes de entrarmos na Filarmónica, para um concerto memorável, chamou-me a atenção para uma personagem que já tinha visto num outro ponto da cidade, afirmando que se tratava de um anjo. Fiquei um bocado triste, senti que não tinha capacidades para reconhecer anjos, sendo assim despassarada, nem os vejo. Mas nessa noite, após o concerto, fui eu que reparei numa situação insólita: no metro, estávamos os dois de pé, junto à porta no interior de uma carruagem com bancos laterais e vi dois homens sentados frente-a-frente abraçados, impedindo a passagem pelo corredor; algo os unia de tal forma que permaneceram assim sem dar pela paragem da máquina na estação. Os outros passageiros não olhavam para o que se estava a passar, mas eu não conseguia parar de olhar e fiquei de tal modo perturbada, que não tirei a máquina da mala para fazer uma fotografia, apesar de desejar. Quando saímos, o meu amigo chamou-me tonta por não ter coragem de fotografar algo tão belo, achou que eles não se iriam importar, poderia oferecer-lhes depois a fotografia; continuei a espreitar pela janela da carruagem aquele abraço intenso que não se desfazia e disse-lhe que sentia aquele instante como símbolo da reunificação, da queda do muro de Berlim, como uma ressurreição. No dia seguinte, encontrei pela primeira vez um anjo, estava sozinha e ele acenou-me no interior do Museu Judaico dizendo: Don’t you remember? Era um homem que de manhã me tinha ajudado no metro, quando estava a tentar tirar um bilhete na máquina; reparei nele a falar em alemão com outra pessoa na máquina ao lado, porque se virou para mim e explicou-me em inglês que tínhamos de comprar o bilhete num quiosque, as máquinas estavam avariadas. Segui-o e já no quiosque perguntou-me qual era a minha nacionalidade, quando disse portuguesa sorriu com ar simpático, mas não lhe dei conversa. À tarde, no museu, se não acenasse, não o via de certeza e só o reconheci quando falou. Fiquei então com a impressão de que só dou por anjos se falarem comigo, porque tenho sempre a cabeça no ar. A propósito de cabeça no ar, fotografei vários anjos com o céu de Berlim.

texto postado no Insónia a 18/3/2009, quando regressei de Berlim, faz agora um ano. O tempo passa depressa.

Dia-a-dia #63

Gata Lua à presidência.


segunda-feira, 15 de março de 2010

No sitemeter #51

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Alguém veio parar a esta casa no tempo procurando o que é um prefácio de um livro e encontrou eco.


Dia-a-dia #62

domingo, 14 de março de 2010

Artes #15

Dia-a-dia #61

Esta casa está cheia de gente, necessita de ser arrumada e limpa, mas nem me está a apetecer pensar no assunto. Vou esquecer-me disso tudo e ficar sem fazer nada, até porque tenho pouco tempo para isso e não fazer nada é um tempo precioso.

sábado, 13 de março de 2010

No sitemeter #50

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Alguém chegou a esta casa no tempo procurando a que fez pecar Adão foi a mãe destas mulheres poema e encontrou eco.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Dia-a-dia #59

O blogue não morreu; ontem entreguei os relatórios nas Belas, por isso, não tenho passado por cá. Entretanto, desde que acordei, nem acredito que entreguei aquelas 58 páginas - o limite eram 60. Não fiquei lá muito contente com o que fiz, mas está entregue e acabei. Agora está sol, que bom.

sábado, 6 de março de 2010

Ilustração #30


"Fantasmas do Porto" 2010, técnica mista s/papel, 21x30cm. Foi feito a partir da entrada com o mesmo nome do "Dicionário Imperfeito" de Agustina Bessa-Luís e podem vê-lo ao vivo na Livraria Babel Chiado, na Rua da Misericórdia 68, durante o mês de Março.