Eco

O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Dia-a-dia #158




O que é isto? Sabem onde fica? Como se chama?

É a nova cara de um edíficio histórico. Fica em Évora, na grande puta da História de Portugal. Chama-se Palácio da Inquisição, ou ainda hoje é conhecido como tal. Fica ao lado do templo romano, também conhecido por Templo Diana. A história tem destas coisas, o templo romano foi no passado um matadouro, ou seja, um local onde se abatiam animais, mas na minha infância já não era assim, claro. Há muito tempo que passou a ser ruína de templo. Agora é visitável no seu exterior, mas na minha infância brinquei muito naquele templo, subiamos lá acima, inventávamos tesouros para lá esconder e desenterrar nas pedras. Fiz a escola primária numa escola que se situava ao lado da Sé. A minha casa não está longe, os colegas que viviam na mouraria batiam-me à porta e iamos em grupos a pé para as aulas e voltávamos para casa também passando por aqui. E nas idas e vindas brincávamos nestes espaços da cidade. Mais tarde fiz o ciclo preparatório num colégio ao lado do Palácio da Inquisição, que pretence à Fundação Eugénio de Almeida, criada por estatudos testamentários de Vasco Maria Eugénio de Almeida que com estas obras estará a dar voltas na sua tumba. Foi neste edificio que funcionou o Instituto de Estudos Superiores, orientados pela Companhia de Jesus, onde em 1963 abriu por exemplo, o primeiro curso de sociologia em Portugal, algo impensável nos tempos da ditadura. Sim, no antigo Palácio da Inquisição, eu na altura ainda não era nascida, mas o meu pai fez parte da primeira turma do curso de economia. Os jesuítas já não andam por ali de certeza, até porque para ser jesuíta é necessário estudar muito e o que aqui está é um atentado ao património, revela ignorância e falta de respeito. O edifício era assim:
 
 
Estão a ver este jardim? Brinquei muito debaixo das árvores quando ia ou vinha da escola primária, também nos intervalos e furos do colégio no ciclo preparatório. Sabem quanto doi cortar uma árvore da infância e substituí-la por granito? Quando se corta uma árvore ela não volta a crescer. Não se destroi um  jardim num centro histórico classificado de património mundial pela UNESCO. Nem se pode fazer um atentado destes num edíficio histórico. E porquê granito?
 
 Que presente é este?  Que interpretação  do  passado foi esta que inventaram janelas neo-medievais com portas de vidros espelhados? É este o futuro que me querem impor?  Edificios históricos com vidros espelhados? Já que se tratava do Palácio da Inquisição, porque não lhe puxaram fogo de uma vez por todas, tipo política da terra queimada? Se calhar assim não doía tanto. E como dizem no norte, neste caso está tudo fodido.
 
 

Sem comentários:

Enviar um comentário