Eco

O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

quarta-feira, 29 de março de 2017

Dia-a-dia #265

Estava na varanda da BN a observar a escultura do António Campos Rosado (acho que é dele, mas nunca confirmei)  Aproximou-se um brasileiro já com uma certa idade, mas com um sorriso infantil. Perguntou-me quem fez a escultura e informei-o um pouco sobre este escultor português. Olhou-me com ar de miúdo regila e continuou: e quem está representado? Disse-lhe que a escultura me remetia para a Grace Jones, cantora icónica dos anos oitenta, visto que deve datar desse período, e também tem algo das cabeças enormes da Ilha da Páscoa, mas numa escala portuguesa. Dei-lhe a minha interpretação: "Grace Jones em betão na Ilha da Páscoa". Ele com ar traquina diz-me que lhe lembra o Mussolini. Respondo-lhe que não não não não. Pergunta-me se quero ver uma fotografia do ditador lá dentro na sala de leitura, eu continuo a abanar a cabeça. Informo-o que estudei Belas-Artes e ele afirma que sendo assim não discute comigo, mas se a escultura fosse dos anos quarenta e em pedra, poderia ser o Mussolini. Expliquei-lhe que realmente os edifícios em betão surgiram nesse período por cá, mas escultura não. Ainda lhe chamei a atenção para o facto desta esfinge ter as marcas das confragens, que deveriam ser em tacelos, algo que não aconteceria nesse período. E lá me agradeceu e comentou que finalmente alguém lhe tinha sabido responder de quem era aquela escultura.



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