Eco

O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

quinta-feira, 3 de março de 2016

Dia-a-dia #253

No Canadá calhou-me na rifa um excelente professor. Lembro-me que no primeiro encontro que tivemos, viu o meu portefólio com atenção, foi fazendo perguntas sempre com um olhos muito vivos e atentos. No fim comentou: vejo que tem feito coisas diferentes, mas já tem alguma experiência, o que é bom. Depois convidou-me a ir ao seu atelier na escola. Era um velhote com ar de miúdo, trazia sempre com um boné  virado ao contrário, com a pala para trás. O boné tinha um bom tecido verde, que lhe dava um ar muito chique. Chegamos ao atelier e mostrou-me uma pintura em construção, com linhas verticais de várias espessuras e altenâncias de cores vivas. Perguntou-me o que achava. Disse-lhe que parecia dos anos 70. Respondeu-me: Isto parece arte? E eu: Arte? Não sei do que é que está a falar. Desatamos os dois a rir e ele comentou que era um bom começo. Então foi buscar um catálogo de tintas de paredes, correspondiam às da pintura. As cores tinham nomes exóticos: azul do Nilo, amarelo do deserto, etc. E com um ar provocador disse-me que a pintura era sobre a guerra do Kuwait. E falámos como a arte ocidental se apropriou do exótico ao longo dos tempos, do 'Banho Turco' de Ingres e outros exemplos. Afinal o que parecia arte era sobre a guerra.

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