O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

sábado, 6 de outubro de 2012

Dia-a-dia #119

A cidadã Luisa Trindade ontem protestou nas restritas comemorações da Républica no Páteo da Galé em Lisboa, sendo retirada de lá pelos seguranças. Também a cidadã Ana Maria Pinto cantou "Firmeza" de Lopes-Graça, com poema de João José Cochofel. Alguns dos presentes aplaudiram-na.  Ambas encarnaram a Républica no 5 de Outubro de 2012, são o seu rosto actual. BRAVO mulheres lutadoras. Fica aqui o depoimento da cantora:

.«“Ninguém me ouve, ninguém me acode porquê?”

Gritava a Luisa Trindade, enquanto ecoavam ainda umas palavras do palco com tapete vermelho...A Luisa gritava, servindo-se inteiramente de si mesma e do seu desespero.

E estava ali eu com a Firmeza na mão...e era a Luisa que eu ouvia entre tantas palavras, A Luisa ali ao meu lado com Tudo de si mesma no coração, em grito.

Ouvem-se palmas, acabaram as palavras do outro lado...é a vez da esperança, é a vez da Luisa e do seu coração, rumo certo em si mesma, rumo certo em mim mesma.

Em forma de canto gritava agora eu: “...Que o teu corpo agora fale, presente e seguro do que vale...”

A Luisa exigiu, avançou, exigiu ainda mais ser ouvida..não chegou onde queria chegar... entretanto esvaziou-se o palco...entretanto cerraram-lhe o caminho...

E eu cantava “...Pedra em que a vida se aliceça...Pega-lhe como um senhor, e nunca, e nunca como um servo...”

Levaram a Luisa, e agora avancei um pouco eu...avancei com a Firmeza na mão, e com a Luisa no coração. E eu cantava:

“Canta os sonhos com que esperas, que o espelho da vida nos escuta!”

À minha volta ouviam...ouviam a música, ouviam a poesia e uma voz lírica...”caminho aberto, abriu-se caminho”...e no fim até bateram palmas. Bateram palmas a Luisa, o que ouviam era a Luisa, porque era a Luisa o coração de cada palavra...presente e seguro do que vale.»

Ana Maria Pinto



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