Eco

O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Dia-a-dia #258

Na praia estou tão zen ao sol e nem ligo: a pessoal que põe música em alto no telemóvel; ou a quem abre a boca só para dizer palavrões; quem usa esse tipo de vocabulário e joga à bola; os grupos de grunhos aos pulos com uma bola à beira-mar; o jogo das raquetes; as bolas que atinguem criancinhas; adolescentes com as hormonas aos pulos que riem e dão gritinhos; fedelhos que entram na água a correr e a chapinhar; adultos que fazem o mesmo e alegremente atiram água uns aos outros; não ligo a quem comenta a temperatura da água comigo e acha estranho não responder; pessoal que não sabe o que é um caixote do lixo apesar de haver vários na zona; que mandam beatas para a areia; não ligo às ratazanas debaixo do chapéu de sol com chapéus de pala entretidas a afiar a língua com a vida dos outros; ou outras ratazanas; camarões e lagostas de importação; as bolas das raquetes; as bolas que atigem qualquer um que passa; a avó aguda que chama o neto na água com o vocabulário apropriado; ratazanas a rosnarem; famílias inteiras aos gritos cujo o pacote inclui os guinchinhos dos mais pequenos; criancinhas que gritam como se as tivessem a matar, mas afinal não aconteceu nada.
Na praia fiquei tão zen ao sol que adormeci, mas não me lembro do que sonhei.

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