O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Dia-a-dia #31

Ontem deparei-me com o caos-belas no seu melhor: puxa, já nem me lembrava de como aquele edifício comporta uma percentagem invulgar de loucos por metro quadrado. Dirigi-me para lá para assistir a uma aula, que por acaso era do mestrado de pintura e como havia algumas vagas para doutorandos, inscrevi-me via on-line. Cheguei cedo, fui conversando com a Clara que é professora e vai investigar na área da educação artística – já a conhecia, mas não daquele antro, é uma pessoa adorável, ambas tínhamos efectuado a inscrição via on-line. Os alunos foram-se agrupando em torno da porta da sala e nisto chega a senhora pintora com o professor convidado, olha para quem não era de lá, conta em alto e diz em voz imponente: vamos ter problemas, isto é uma aula de mestrado e não cabe cá toda a gente. UUUauuuu, boa tarde! Começou a confusão, o pessoal a mandar vir, alguém resmungou porque faltou ao trabalho para estar ali, outro porque tinha vindo do Algarve, e a senhora pintora implacável: não tenho nada a ver com coisas burocráticas, isso é na secretaria - continuou dando um show à maneira - ninguém vai ficar aqui sentado no chão numa sessão de duas horas que requer atenção - só lhe faltava dar com o chicote nos candidatos a doutores das Belas. Dou-me mal com estas situações, quando fico nervosa dá-me para rir em público, devo de ter largado umas boas gargalhadas a olhar para aquilo. A Clara que é uma pessoa madura – diria que em matéria de educação para ela, são muitos anos a virar frangos – perante a confusão disse: sendo assim, devem passar à frente os doutorandos de pintura. Concordei, apesar de eu e a Clara sermos as únicas inscritas, em termos logísticos teríamos prioridade, acrescentei ainda que a aluna que faltou ao trabalho também deveria passar. Nisto, sobrou um grupo de oito doutorandos, o professor convidado estava à porta da sala em estado de choque, zonzo a olhar de boca aberta para a senhora pintora que continuava aos berros. A Clara para a acalmar perguntou: quantos ainda cabem? Ainda havia três lugares, sorteamos e o destino disse-me para não ficar ali a assistir ao resto. Aproveitei então para tratar de coisas na secretaria, fui ao conselho científico tirar dúvidas sobre o que tenho de fazer este semestre, tratei de assuntos práticos necessários. Foi melhor assim.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Eco #6

Ressonância do Henrique sobre essa bela questão que é a Humanidade.

Dia-a-dia #30



A propósito de loiras no cinema, o Vítor dos Santos, companheiro de longa data das Belas enviou-me mais uma loira rodeada de janelas abertas para a natureza, tudo dobrado em espanhol - ele sabe que vi a "Heidi" e o "Marco" na infância em terras de Espanha e que durante muitos anos via também a TVE no alentejo, filmes americanos dobrados por nuestros hermanos. Esta pica gelo com um substituto do pénis.Gracias amigo, olé!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Dia-a-dia #29






O que não entendi ontem na conferência sobre 3 loiras peculiares do cinema nas Belas, de repente fez-se luz ao ver estes vídeos: a espécie humana é tacanha, básica, uma rapariga loira de mini-saia é uma ameaça numa Universidade em São Paulo , alvo de sadismo dos colegas desejosos de a apedrejarem. A realidade está mesmo à frente da ficção.

Artes #9



segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dia-a-dia #28

Agora nas Belas ou o regresso ao jardim de infância. Hoje assisti à primeira conferência e não vou escrever relatório. Perdi o início porque tinha de comprar um cinzento payne gray que me faltava aos meus artismos. O tema era três loiras peculiares no cinema: Hichcock, Oliveira e Almodóver. Janelas e loiras numa leitura pós-estruturalista e a minha cabeça não estava lá. Grace Kelly, Leonor Silveira e Pénelope Cruz, esta última deduzi que colocou uma peruca loira. Ouvi algo sobre a mulher objecto no cinema, que é exibida e olhada. E o homem é o sujeito, e que a mulher enquanto representação tem um complexo de castração, existe uma ferida, devido à ausência de pénis. Só sinto isso quando fico com vontade de fazer xixi na rua à noite, mas acho que é uma grande porcaria e aguento-me bem. Assim, estas loiras são uma ameaça. Ouvi que tinha a ver com grandes planos, fragmentação da representação do corpo, o seu impacto no sujeito. Pelos vistos, no homem enquanto sujeito, porque é apenas para o prazer do olhar masculino que estes filmes se dirigem. Ouvi ainda alguma coisa sobre sadismo - implica uma narrativa, deve ser por causa do tau-tau, para além de existir a culpa no objecto olhado-, fetichismo - não implica narrativa, é coisa de contemplação - e voyerismo - janelas e loiras, " Singularidades de uma Loira" (Eça de Queiroz/ Manoel de Oliveira) ou uma loira que caiu do pedestal porque andava no gamanço, a Grace Kelly na "Janela Indiscreta", uma loira muito activa e a Pénelope Cruz de peruca, mais o ecrã de televisão no filme de Almodóver, janela tecnológica. Conclusão, não percebi ou não estava nos meus dias ou não consigo reflectir sobre loiras no cinema, falta-me o pénis, tenho um complexo de castração.

domingo, 1 de novembro de 2009

No sitemeter #19

Eco
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