Para chegar a gostar de tudo
não queiras ter gosto em nada.
Para chegar a saber tudo
não queiras saber algo em nada.
Para chegar a possuir tudo,
não queiras possuir algo em nada.
Para chegar a ser tudo
não queiras ser algo em nada.
Para chegar ao que não gostas,
hás-de ir por onde não gostas.
Para chegar ao que não sabes,
hás-de ir por onde não sabes.
Para chegar a possuir o que não possuis,
hás-de ir por onde não possuis.
Para chegar ao que não és,
hás-de ir por onde não és.
Quando reparas em algo,
deixas de atirar-te ao todo.
Para chegar de todo a tudo,
hás-de afastar-te de todo em tudo.
E quando chegues de todo a ter,
hás-de tê-lo sem nada querer.
Quando já não o queria,
tenho tudo sem querer.
Quanto mais tê-lo quis,
com tanto menos me vejo.
Quanto mais buscá-lo quis,
com tanto menos me vejo.
Quanto menos o queria
tenho tudo sem querer.
Já por aqui não há caminho,
porque para o justo não há lei
para si ele é a lei.
S. João da Cruz - " Poesias completas" (tradução de José Bento). Lisboa: Assírio & Alvim, pp.89-91.
http://www.youtube.com/watch?v=oSGZaQG4ya0&feature=youtu.be
O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?
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terça-feira, 12 de março de 2013
segunda-feira, 11 de março de 2013
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Poema #93
Terceira cena, no fim: Maria e Mathilde
Uma mulher encolhe os ombros
Uma mulher abre a boca
Uma mulher passa a mão direita por baixo
da omoplata, faz deslizar um dedo ao
longo da coluna vertebral e inclina-se para a frente
Uma mulher olha para as axilas que incham
Uma mulher tenta esconder os olhos com as pestanas
Uma mulher sonha... que é uma mulher,
uma mulher não sonha... nunca!
Uma mulher imagina
Uma mulher, imagina uma mulher!
Uma mulher ganha
Uma mulher queimada
Uma mulher tem um sapo na boca
Uma mulher pensa
Uma mulher é morta pelo noivo
Uma mulher em casa. Quem é a mulher em casa?
Uma mulher limpa o chão
Uma mulher tem um cavalo no ventre
Uma mulher dá um peido
(...)
Mathilde Monnier, La Ribot, in Gustavia
sábado, 26 de dezembro de 2009
Música nesta quadra#7(Não entrar como um turista no coração de uma mulher)
(José Luis Gordo / José Mário Branco)
Entrego a minha voz ao coração do vento
E quanto mais água dos meus olhos corre
Mais fogo acendo
Eu não me entendo
Eu não me entendo
E por ti já gastei o pensamento
Ai amor, ai amor, se o tempo
Já gastou, já gastou o nosso tempo
Eu não me entendo
Eu não me entendo
A primavera do meu tempo
Já gastei a primavera do meu tempo
Já fiz da boca jardins de vento
E não me entendo
E não me entendo
Eu não me entendo
cantado por Camané
Concerto de Natal dos Ventilan na Trama aqui
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Sou fã dos Ventilan
quarta-feira, 23 de Dezembro às 22h00
Concerto de Natal
Ventilan
Os Ventilan não nasceram de uma ideia, nasceram de uma vontade. Não são, por isso, um projecto. São puro acto. Seguem à risca a máxima segundo a qual a poesia é cada vez mais claramente a antimatéria da sociedade de consumo. Cada acto é um ensaio e cada ensaio é, helás!, um acto. Raramente o acto acontece mais que uma vez por ano. Os (in)suspeitos implicados são: Nuno Moura na leitura, Pedro Serpa nos sopros, Henrique Fialho nas cordas, Luís Fonseca no teclado. Por cima do ruído é costume escutarem-se versos, mas nada impede que por cima dos versos se venha a escutar ruído. Tudo porque a poesia é, também e talvez sobretudo, para gingar, pronunciar, respirar, dançar, menear, cantarolar, representar, exorcizar, clamar, vociferar, gritar, goelar, tragar, manjar, respirar, respirar, respirar.
Nuno Moura Henrique Fialho Pedro Serpa Luís Fonseca
Mais informações: aqui.
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