O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?
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sexta-feira, 27 de setembro de 2013
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
sábado, 21 de setembro de 2013
segunda-feira, 10 de junho de 2013
sábado, 6 de abril de 2013
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Dia-a-dia #118
sábado, 22 de setembro de 2012
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Para aprender o ACORDAI
A partitura está aqui
Quem quiser ser massacrado com midis para ouvir a sua voz, pode ir aqui: http://www.comsonante.org/sites/default/files/acordai_1.pdf
E no youtube há algumas boas versões, como esta
A letra faz parte da descrição do evento. Seria bom imprimir e levar para distribuir.
Quem se junta à minha voz?
No dia 21 de Setembro, data do próximo evento da comunidade "Que se lixe a troika" ... que se "acendam almas e sóis neste mar sem cais"!
Local de encontro: Escadaria que dá para a fonte em frente ao CCB a partir das 17h30m
ACORDAI
Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras e o mar
o mundo e os corações
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
José Gomes Ferreira
Quem quiser ser massacrado com midis para ouvir a sua voz, pode ir aqui: http://www.comsonante.org/sites/default/files/acordai_1.pdf
E no youtube há algumas boas versões, como esta
A letra faz parte da descrição do evento. Seria bom imprimir e levar para distribuir.
Quem se junta à minha voz?
No dia 21 de Setembro, data do próximo evento da comunidade "Que se lixe a troika" ... que se "acendam almas e sóis neste mar sem cais"!
Local de encontro: Escadaria que dá para a fonte em frente ao CCB a partir das 17h30m
ACORDAI
Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras e o mar
o mundo e os corações
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
José Gomes Ferreira
Dia 21 de Setembro vamos cantar em Belém
Vamos cantar ACORDAI de José Gomes Ferreira e Fernando Lopes-Graça. O ponto de encontro é a partir das 17h30m na escadaria que dá para a fonte em frente ao CCB.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Amália Rodrigues - Fado Malhoa
A secretaria de Estado da Cultura anunciou hoje que a artista plástica Joana Vasconcelos vai representar Portugal na próxima Bienal de Veneza, em 2013.
Em comunicado, o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, afirmou que Joana Vasconcelos nunca foi a artista convidada do pavilhão português no certame, mas que “está na altura de corrigir essa falha”. “Tem colocado o nome de Portugal ao mais alto nível no mercado mundial da arte”, justificou, acrescentando que as obras da artista, conhecida pelo seu trabalho de escultura, “levam ao exterior a marca identitária e tradicional de Portugal ao mesmo tempo que expressam uma modernidade assombrosa”.
Paulo Portas elogia Joana Vasconcelos
sábado, 2 de julho de 2011
Poema #71
Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloqial, a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!
*
Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há "papo-de-anjo" que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para o meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.
Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado, feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...
Alexandre O'Neill
in "Feira Cabisbaixa", 1965
quarta-feira, 29 de junho de 2011
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Poema #36
PORTUGAL
Portugal
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir
como se tivesse oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os infiéis ao
[norte de África
só porque não podia combater a doença que lhe atacava os
[órgãos genitais
e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo mentira que o Infante
D. Henrique foi uma invenção do Walt Disney
e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente
Portugal
Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino nacional
(que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electrochoques e está a recuperar
aparte o facto de agora me tentar convencer que nos espera um
[futuro de rosas
Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiros dos Jerónimos a ver se contraía a
[febre do Império
mas a única coisa que consegui apanhar foi um resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr encontrar uma
[pétala que fosse
das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador
Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
como me pude eu apaixonar por um velho decrépito e idiota como tu
mas que tem o coração doce ainda mais doce que os pastéis de Tentúgal
e o corpo cheio de pontos negros para poder espremer à minha vontade
Portugal estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete Salazar estava no
[poder nada de ressentimentos
O meu irmão esteve na guerra tenho amigos que emigraram
[nada de ressentimentos
Um dia bebi vinagre nada de ressentimentos
Portugal depois de ter salvo inúmeras vezes os Lusíadas a nado
[na piscina municipal de Braga
ia agora propor-te um projecto eminentemente nacional
Que fôssemos todos a Ceuta à procura do olho que Camões lá deixou
Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe
Portugal
gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca
Jorge Sousa Braga, do livro «De manhã vamos todos acordar com uma pérola no cu», in «O Poeta Nu», Assírio & Alvim, Junho de 2007, pp. 17-18.
Portugal
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir
como se tivesse oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os infiéis ao
[norte de África
só porque não podia combater a doença que lhe atacava os
[órgãos genitais
e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo mentira que o Infante
D. Henrique foi uma invenção do Walt Disney
e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente
Portugal
Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino nacional
(que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electrochoques e está a recuperar
aparte o facto de agora me tentar convencer que nos espera um
[futuro de rosas
Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiros dos Jerónimos a ver se contraía a
[febre do Império
mas a única coisa que consegui apanhar foi um resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr encontrar uma
[pétala que fosse
das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador
Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
como me pude eu apaixonar por um velho decrépito e idiota como tu
mas que tem o coração doce ainda mais doce que os pastéis de Tentúgal
e o corpo cheio de pontos negros para poder espremer à minha vontade
Portugal estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete Salazar estava no
[poder nada de ressentimentos
O meu irmão esteve na guerra tenho amigos que emigraram
[nada de ressentimentos
Um dia bebi vinagre nada de ressentimentos
Portugal depois de ter salvo inúmeras vezes os Lusíadas a nado
[na piscina municipal de Braga
ia agora propor-te um projecto eminentemente nacional
Que fôssemos todos a Ceuta à procura do olho que Camões lá deixou
Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe
Portugal
gostava de te beijar muito apaixonadamente
na boca
Jorge Sousa Braga, do livro «De manhã vamos todos acordar com uma pérola no cu», in «O Poeta Nu», Assírio & Alvim, Junho de 2007, pp. 17-18.
Encontrado aqui
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Poema #28
BALADA DO PAÍS QUE DÓI
O barco vai
o barco vem
português vai
português vem
o corpo cai
o corpo dói
português vai
português cai
o barco vai
o barco vem
português vai
português vem
o país cai
o país dói
o tempo vai
o tempo dói
português cai
português vai
português sai
português dói
Ana Hatherly
O barco vai
o barco vem
português vai
português vem
o corpo cai
o corpo dói
português vai
português cai
o barco vai
o barco vem
português vai
português vem
o país cai
o país dói
o tempo vai
o tempo dói
português cai
português vai
português sai
português dói
Ana Hatherly
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