O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Eco #7

MÃE

Rodrigo gostava de se pendurar na beira do poço, a olhar para o fundo enquanto assobiava sons que o eco lhe devolvia. A mãe ainda lhe ouviu o último som, um grito que o eco engoliu.

domingo, 8 de novembro de 2009

No sitemeter #21

Eco
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Alguém chegou a esta casa no tempo procurando o que é eco música e encontrou esta música.

Poema #43

RUA DA ESTAÇÃO

Havia um terraço com plantas
onde fazia calor durante a noite.
Podiam ouvir-se os comboios
e a sirene rival da moagem, o trovão
era a voz de um deus contrariado
pela nossa inocência. Punham-se
as ameixas a secar ao sol,
penduravam-se uvas por cima
do escano. E no princípio do Outono
tiravam-se as colchas das arcas.
E chovia muito e cheirava a cânfora.

Rui Pires Cabral
Praças e Quintais
(Averno, 2003)

sugerido pelo moço

sábado, 7 de novembro de 2009

No sitemeter #20

Eco
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Alguém veio parar a esta casa no tempo procurando poesia arrumando a casa e encontrou eco.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

No fio de Ariadne #6



















MÉTODO PARA A VIDA NO LABIRINTO

Uma vez transposto o umbral não olhar para
trás porque a vertigem é comparável à
das alturas cravando as unhas do alpinista
na rocha num anelo espiralado de
imobilidade; seguir a rota da
falência da luz exterior até
que o crepúsculo deixe vislumbrar a outra
que mana do centro. Atenção: não se pretende
chegar lá – ela cega queima desintegra –
sequer o retorno – nas paredes há nichos
com víveres para mais de cem anos – mas
a vida iluminada pelas duas fontes.
António Gregório

Poema escrito a partir dos meus labirintos e que originou estas novas imagens aqui da casa

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Poema #42



O LABIRINTO

Embora ela me coubesse nos braços sem
nunca ter sido preciso sequer abri-los
inteiros não me surpreendeu ao entrar
aqui esta gramática de galerias
e corredores.

Às minhas perguntas lamenta-se a memória
que não desenrolou nenhum fio de Ariadne;
porém não eram acerca de sair mas
acerca de entrar: não sabes que é sempre para
o labirinto?

António Gregório, " American scientist", Quasi 2007, p-11, a ilustração é aqui da casa


Destaques

Luana Talmûdica é legal pra caramba, né?