Sonhei que tinha entrado para um coro onde ia fazer uma peça sinfónica. Era o primeiro ensaio e estavam a distribuir as partituras. Íamos ser dirigidos por um maestro novo, que tinha uma jovem assistente. Todos estavam a ouvir o maestro a falar com uma enorme atenção, aquilo mais parecia uma seita religiosa. Eu olhava para a partitura e reconhecia a peça, já a tinha feito. Ainda sabia aquilo de cor. O ensaio terminou e não se ensaiou. As pessoas iam saindo da sala, elogiavam o maestro e o seu discurso. Eu estava a olhar a partitura e cantarolava. Nisto a assistente vem ao pé de mim e pergunta-me se já conhecia a peça. Respondi-lhe que sim, tinha a feito como segundo contralto. Ela avisa-me que havia linhas muito agudas para os contraltos e digo-lhe que não haverá problema, poderei fazer de tenor nalgumas partes. Depois vejo-me numa residência artística no estrangeiro, o espaço era agradável e tinha ficado bem instalada. O pessoal que lá estava era simpático e trocávamos impressões de como as coisas funcionavam. E nisto estava a mostrar o meu trabalho de desenho a um dos responsáveis daquilo e o homem começa-se a passar, porque o meus desenhos eram a tinta-da-china. Eu pergunto-lhe com calma que tipo de relação é que ele estabelece entre os desenhos e os materiais que são feitos. O homem fica histérico, insulta-me e responde-me que ninguém o pode pressionar assim. Acordei estupefacta a pensar que afinal não existem apenas artistas chanfrados nas Belas-Artes de Lisboa, isto é mesmo um problema mundial.
O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?
segunda-feira, 28 de março de 2016
domingo, 13 de março de 2016
Dia-a-dia #254
Ontem cozinhei uma Vichyssoise à maneira para comemorar. A receita: refogar em manteiga duas cebolas grandes às rodelas (lume brando). Juntar dois alhos franceses também às rodelas e vá mexendo com a colher de pau até estarem semi-moles. Juntar quatro batatas médias aos cubos e caldo de galinha q.b. Deixe cozinhar bem as batatas e no fim, temperar com sal e pimenta a gosto. Bata com a varinha mágica até obter um creme espesso. Adicione água se achar necessário, até o creme ficar a seu gosto. Sirva quente ou fria com natas. Eu gosto quente com natas frias.
quinta-feira, 3 de março de 2016
Dia-a-dia #253
No Canadá calhou-me na rifa um excelente professor. Lembro-me que no primeiro encontro que tivemos, viu o meu portefólio com atenção, foi fazendo perguntas sempre com um olhos muito vivos e atentos. No fim comentou: vejo que tem feito coisas diferentes, mas já tem alguma experiência, o que é bom. Depois convidou-me a ir ao seu atelier na escola. Era um velhote com ar de miúdo, trazia sempre com um boné virado ao contrário, com a pala para trás. O boné tinha um bom tecido verde, que lhe dava um ar muito chique. Chegamos ao atelier e mostrou-me uma pintura em construção, com linhas verticais de várias espessuras e altenâncias de cores vivas. Perguntou-me o que achava. Disse-lhe que parecia dos anos 70. Respondeu-me: Isto parece arte? E eu: Arte? Não sei do que é que está a falar. Desatamos os dois a rir e ele comentou que era um bom começo. Então foi buscar um catálogo de tintas de paredes, correspondiam às da pintura. As cores tinham nomes exóticos: azul do Nilo, amarelo do deserto, etc. E com um ar provocador disse-me que a pintura era sobre a guerra do Kuwait. E falámos como a arte ocidental se apropriou do exótico ao longo dos tempos, do 'Banho Turco' de Ingres e outros exemplos. Afinal o que parecia arte era sobre a guerra.
terça-feira, 1 de março de 2016
Dia-a-dia #252
Recebi uma mensagem do
outro lado do Atlântico. Levou mais de um mês a chegar, apesar de agora ser
tudo muito rápido. Veio da Nova Escócia, uma península a norte no planeta.
Nesta altura do ano deve estar coberta de neve, os lagos em gelo e os plátanos
despidos. Aqui, pelo contrário, já cheira a primavera. A mensagem era sobre uma
carta que escrevi há mais de vinte anos quando lá vivi. Foi num filme que
realizei com um fotógrafo de Cape Breton. Ele tem os olhos muito azuis e diz
que agora ainda fuma mais. Houve um acidente com o filme, ficou de pernas para
o ar. Na mensagem escreveu que eu tentei apagar as palavras da carta no filme,
mas todo este tempo permaneceram no interior da sua mente.
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Dia-a-dia #251
BN: as obras na sala de leitura terminaram, já não se vai para a sala temporária com aquelas colunas a quebrarem tudo. Ainda bem, porque a outra estava a entrar no meu subconsciente. Esta é bem mais ampla, com dicionários e enciclopédias à mão. E tem a célebre varanda com vista para a esfinge cabeçorra do António Campos Rosado em cimento armado. O terreno em volta está verde, posso ir à varanda reflectir e fumar ao som dos aviões que passam.
Na porta de entrada da BN está um papel a avisar que a sala geral de leitura reabria hoje e que por isso a biblioteca esteve fechada no sábado. Lembro-me de ter lido na semana passada, mas só me lembrava que fechava no sábado. Mentira, o subconsciente disse-me que tinha de sair daquela sala temporária, mas não me mostrou as razões. Quanto a perder a carteira no transporte do computador e livros naquele sonho, recentemente ia-a perdendo quando fui ao supermercado. E perguntarem-me por um livro que não tinha pedido, isso acontece muitas vezes, mas não ao balcão como no sonho. Por vezes os funcionários andam de mesa em mesa à procura de algum livro que falta. Eu fico sempre um pouco marada quando os vejo assim de vigia, mas sentia-se mais na outra sala, que era mais pequena. Ora bem, o Dr. Freud clarifica algumas coisas sobre o funcionamento dos sonhos.
sábado, 27 de fevereiro de 2016
Dia-a-dia #250
Sonhei com a actual sala temporária de leitura da BN, já tinha pedido os livros e deixei o computador no meu lugar, enquanto não chegavam como é habitual, fui beber um café. Quando voltei havia uma enorme confusão, os leitores estavam a entregar os livros para irem embora. Um segurança aviso-me que iam esvaziar espaço, tinha de ir buscar as minhas coisas o mais depressa possível. Perguntei-lhe porquê, e ele não respondeu. Fiquei em pânico, entre carregar os livros e o computador, a minha carteira não aparecia. Depois lá a encontrei no balcão e fiquei aliviada. Já não havia quase ninguém na sala, tinha de me despachar e o funcionário chama-me a atenção de que faltava um livro e diz-me o título. Eu respondi-lhe que nunca tinha pedido esse livro, não o conhecia, nem tinha nada a ver com o que estava a investigar. Nisto chega a polícia para retirar os leitores que ainda estavam na sala e eu insistia que nunca tinha lido esse livro, que era um engano.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Dia-a-dia #249
E não é que hoje sonhei que um ex-namorado andava agora com a minha irmã? Eu tinha descoberto e estava furiosa, mas com ele. Com a minha irmã estava mesmo preocupada, alertava-a de que ele não presta. Ela como tem bom coração defendia-o, dizia que estava diferente e a compor imenso. Furiosa respondia-lhe que iria despejar um balde de merda na cabeça dele, porque não acredito que as pessoas mudem. Foi um alívio quando acordei, porque a situação é mesmo impossível. Deu-me vontade de rir o facto de estar a sonhar que protegia a minha irmã, isso sempre aconteceu apesar de ela ser mais velha. A ideia de despejar um balde de merda na cabeça dele não é nada má, mas não o vejo há muitos anos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
