O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Dia-a-dia #246

Noutro dia, a minha mãe dizia-me que o sentido de humor alentejano é pesado e por vezes, até parece má educação.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Dia-a-dia #245


Na aula o professor pediu para desenharmos a nossa casa, depois uma casa em conjunto com o colega do lado e por fim, desenharmos a casa dos nossos sonhos. Representei de memória uma vista da minha sala com o chão em madeira, os frisos geométricos, e apontei o espaço dos móveis em blocos. Desenhar assim de memória na altura era mais fácil, a casa não tinha tanta tralha acumulada. Os desenhos da casa em parceria não foram nada de especial, lembro-me que não encaixavam. Também nunca mais vi esse colega. Quanto à casa dos meus sonhos, representei linearmente uma mala às bolinhas e duas boas máquinas fotográficas. O professor delineou uma grande elipse em torno do meu desenho acrescentando setas a perguntar direcções. É o que um professor deve fazer, mostrar caminhos e hipóteses várias. Mas aquele desenho representava apenas não ter casa em sonho.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Dia-a-dia # 244

Hoje tive de me desviar da minha rota habitual, para passar nos CTT da AV. de Roma e como tinha papéis para tratar, segui em direcção ao Metro da Alameda. Pelo caminho passei por um quiosque para comprar cigarros, ia despassarada e pedi cigarros gregos, slims dos mais fracos. Então reparei que estava a ser atendida por um paquistanês, ainda pensei, será que me entendeu? Claro que sim, acertou na pontaria e ofereceu-me uma chiclete com o troco a sorrir. Agradeci, nem sou apreciadora de chicletes, mas destressou-me mastigar a mentol, como ainda tinha de ir tratar de papéis.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Dia-a-dia #243

E voltei a sonhar que ainda estava nas Belas-Artes, mas ia pela primeira vez a uma aula de geometria descritiva. O antigo anfiteatro todo construído em madeira ainda existia e estava cheio. As aulas já tinham começado há mais de um mês. Nisto entrou a professora, não a conhecia, e dirigiu-se a mim com uma ficha de inscrição e um envelope com os dados. Mas eu não era a única que estava a começar tarde, porque ela também distribuiu os papeis por mais alunos no anfiteatro. Começo a preencher a ficha de inscrição e vejo que ainda tenho hipóteses de fazer a cadeira. Mas depois abro o envelope e lá dentro estão fotografias de quando era pequena e pergunto-lhe como é que tinham ido parar ali. A professora respondeu-me que eram para anexar à inscrição, as fotografias tinham sido recolhidas da internet e que hoje em dia é assim. Acordei furiosa, a discutir com a professora por achar que se tratava de uma estupidez.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Dia-a-dia #242

Comentário que ouvi ao almoço, por causa de me ter tornado vegetariana não ortodoxa:" Também há pessoas que deixam de comer carne, porque não gostam de animais".

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Dia-a-dia #241

Setembro: o Campo Grande foi invadido por bandos de pinguins a brincarem ao fascismo, como manda a tradição.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Dia-a-dia# 240


Fiz a imagem da capa de "Londres" (2010) de Nuno Dempster na &etc, sem conhecer o Nuno pessoalmente. Ele tinha visto o meu trabalho na internet e pediu-me para a fazer. Só nos encontramos depois e ainda nesse ano, em Viseu, quando lá fui cantar com o Coro de Câmara da Universidade de Lisboa. Na altura também não conhecia o Vítor Silva Tavares, ele enviou-me os exemplares de "Londres" pelo correio. Encontrámo-nos a primeira vez na cave da Rua da Emenda por causa de um problema com o grafismo da capa de "Linhas de Hartmann" de Paulo Tavares. Foi em Fevereiro de 2011, o Vítor entregou-me também nesse dia os exemplares de "K3" do Nuno Dempster, acabadinhos de sair. Também tinha contribuído para "K3" com a imagem da capa. Fiquei fascinada com os relatos que o Vítor fez sobre as tipografias de Lisboa que conheceu. Depois apareceu o Paulo Tavares, foi também a primeira vez que nos encontramos pessoalmente: tinha feito a imagem da capa de "Linhas de Hartmann", mas só falávamos por e-mail. Ficámos lá umas horas a conversar com o Vítor e tudo se resolveu da melhor forma. Voltei várias vezes à cave e foi sempre um privilégio ouvir as estórias que me contou com imensa graça. Nunca me irei esquecer da sua paixão pelos livros.