O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Dia-a-dia #241

Setembro: o Campo Grande foi invadido por bandos de pinguins a brincarem ao fascismo, como manda a tradição.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Dia-a-dia# 240


Fiz a imagem da capa de "Londres" (2010) de Nuno Dempster na &etc, sem conhecer o Nuno pessoalmente. Ele tinha visto o meu trabalho na internet e pediu-me para a fazer. Só nos encontramos depois e ainda nesse ano, em Viseu, quando lá fui cantar com o Coro de Câmara da Universidade de Lisboa. Na altura também não conhecia o Vítor Silva Tavares, ele enviou-me os exemplares de "Londres" pelo correio. Encontrámo-nos a primeira vez na cave da Rua da Emenda por causa de um problema com o grafismo da capa de "Linhas de Hartmann" de Paulo Tavares. Foi em Fevereiro de 2011, o Vítor entregou-me também nesse dia os exemplares de "K3" do Nuno Dempster, acabadinhos de sair. Também tinha contribuído para "K3" com a imagem da capa. Fiquei fascinada com os relatos que o Vítor fez sobre as tipografias de Lisboa que conheceu. Depois apareceu o Paulo Tavares, foi também a primeira vez que nos encontramos pessoalmente: tinha feito a imagem da capa de "Linhas de Hartmann", mas só falávamos por e-mail. Ficámos lá umas horas a conversar com o Vítor e tudo se resolveu da melhor forma. Voltei várias vezes à cave e foi sempre um privilégio ouvir as estórias que me contou com imensa graça. Nunca me irei esquecer da sua paixão pelos livros.


domingo, 30 de agosto de 2015

Dia-a-dia #239

Sonhei com a casa dos meus avós em Évora, mas desta vez a casa estava desabitada há muitos anos. Percorri o labirinto do seu interior abrindo as portas que ligavam os espaços, e de quarto em quarto, de sala em sala, havia apenas os móveis de várias épocas que se misturavam, era necessário arrumá-los para saírem de lá e serem distribuídos. Durante anos sonhei com aquele labirinto, o seu interior era habitado por mulheres desconhecidas em sofrimento, talvez tivessem ficado por lá emparedadas. O espaço da casa funcionava como um espelho da cidade branca das muralhada, era belo e amargo em simultâneo. Foi muito violento. Mas hoje acordei com uma enorme sensação de alívio, porque agora havia apenas os móveis, que tal como a memória necessitam de ser limpos, arrumados e reutilizados.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Dia-a-dia #238

Finalmente limparam o matagal no espaço em frente da varanda da BN, agora já é possível ver a escultura/cabeça/esfinge do António Campos Rosado. Acho óptimo o escultor ter deixado as marcas dos tacelos no betão, dá-lhe um toque de work in progress, um rastro do processo criativo no resultado final. E remete-me para o que estou aqui a pensar e escrever no interior da biblioteca. Hoje em vez da tradicional sesta na varanda, foi muito bom reparar como esta escultura está bem integrada no espaço, com as árvores em pano de fundo e até a passagem dos aviões estava a fazer mais sentido na paisagem.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Dia-a-dia #237

Voltei a sonhar que estava nas caves das Belas-Artes, à minha volta via os vultos cobertos por sacos de plástico pretos, estava em pânico com a quantidade de trabalho a fazer. Nisto reparo que um colega construía uma colagem com pneus, em vez de trabalhar o barro e fui perguntar-lhe onde os tinha arranjado. Ele respondeu-me que os conseguiu através do jornal "Record", que comprava sempre. Eu avisei-o para ter cuidado, que ali iam considerar que se tratava de um objeto de design e não uma escultura. Nisto avisam-me que saíram as notas de desenho e subo ao primeiro andar: vejo um nove na pauta, não acredito, o Matos Simões chumbou-me. Mas como é possível? Nunca tinha visto o homem, já me tinham avisado que detesta mulheres, só apareceu na avaliação e ficou histérico. Acordei revoltada porque alguma coisa se deveria fazer, como reunir todas as alunas prejudicadas para colocar um processo por insanidade naquele misógino.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Dia-a-dia #236

Hoje em vez de sonhar com as caves das Belas-Artes, recuei ao secundário em Évora. Estava numa aula de filosofia e havia debate, a professora preocupada comigo, dizia-me que tinha ideias excêntricas para a minha idade. Nisto vejo-me na minha casa em Lisboa, à procura da gata Lua, não sabia onde se tinha escondido. Os espaços estavam um bocado alterados, a cozinha era parecida, mas funcionava como um corredor alcatifado de vermelho escuro; chego à marquise, as janelas estavam todas abertas, alguém tinha pendurado lá fora uma enorme quantidade de roupa. Fecho as janelas, a gata poderia ter saltado para o quintal, mas vejo que estava dentro de um armário, toda enrolada a dormir. E era a Lua ainda bebé. Acordei a pensar que ter ideias excêntricas e gostar de gatos faz sentido.

domingo, 9 de agosto de 2015

Dia-a-dia #235

Voltei a sonhar que ainda estava nas caves da escultura nas Belas-Artes, tinha voltado para lá em Janeiro e por isso, tinha perdido o 1º trimestre do ano - isso aconteceu na realidade à 20 anos, quando vim do Canadá para o 3º ano de Escultura. À minha volta vi que os projectos estavam bastante adiantados e senti-me perdida. A professora Virgínia animava-me e convencia-me a trabalhar o barro, mas eu olhava para o horário, com as várias disciplinas e estava preocupada com o que já não poderia fazer: história de arte, geometria descritiva era impossível, já tiveram testes. Talvez conseguisse fazer a cadeira de desenho, mas para isso tinha de ir ao 1º andar. Já no pátio da escultura, reparo que o edifício se encontrava em obras e para sair dali comecei a trepar os andaimes. A estrutura termia toda, estava perigosa e entre os andares estavam colchões, numa espécie de andaimes beliches, que apenas se conseguia entrar pelos lados. No meio desta aventura alpinista perdi a carteira do dinheiro, caiu do bolso das calças. Acordei em pânico à procura dela entre os colchões.