O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?
quinta-feira, 12 de março de 2015
Dia-a-dia #227
E voltei a sonhar que estava nas caves das Belas - Artes - é um sonho recorrente - estava no curso de escultura e aquilo era atrofiante. O tema era o corpo humano, tínhamos de modelar em barro e ninguém sabia o que fazer. Não havia modelos. Eu também me sentia perdida, sabia apenas que havia muito trabalho a fazer. Nisto subi ao primeiro andar para ver o que se passava na pintura e pelo que vi o caos ainda era maior: estavam a trabalhar sobre papel, desenhavam a pincel o corpo humano sem modelos. Perguntei aos alunos se tinham temas a desenvolver, e houve um que me respondeu: fomos estimulados a reciclar material. E perguntei: "objet trouvé"?, mas ele não sabia o que era isso Fiquei em pânico e quando acordei só pensava: antes os brutos da escultura que os loucos da pintura!
sábado, 28 de fevereiro de 2015
Dia-a-dia #226
Simpatizo com o rapaz da tabacaria, cumprimentamo-nos e sabe sempre quais são os meus cigarros, não é necessário dizer mais nada. Depois arranjo-lhe moedas para facilitar o troco. Ontem encontrei-o numa alegre cavaqueira com uma moça mais para a minha idade, dizia-lhe: "estamos muito bem, cada dia é como se nos tivéssemos encontrado pela primeira vez". O olhar dele ficou diferente, nunca o tinha visto assim. Ela antes de sair respondeu: "pois é, acho que também preciso de mudar". Então disse-lhe boa tarde e respondeu-me: "são os seus gregos, não é?" E desatamos a rir, claro.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Dia-a-dia #225
Já foi há alguns anos. Estava no aeroporto de Milão junto à zona de embarque e como ainda era cedo, fui beber um café. Não se podia fumar em lado nenhum. Quando me aproximei do balcão, reparei que havia um espaço recôndito com mesas onde estavam duas hospedeiras da Lufthansa de cigarro em punho. Aproximei-me delas, já com o café na mão, puxei dum cigarro e pedi-lhes lume. Uma delas depois disse-me: é proibido fumar, mas se alguém vier dizer alguma coisa, foram eles que começaram. E apontou para uma mesa mais escondida ocupada por gregos bens dispostos que também estavam a fumar.
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Qué ruido tan triste
Qué ruido tan triste el que hacen dos cuerpos
cuando se aman,
parece como el viento que se mece en otoño
sobre adolescentes mutilados,
cuando se aman,
parece como el viento que se mece en otoño
sobre adolescentes mutilados,
mientras las manos llueven,
manos ligeras, manos egoístas, manos obscenas,
cataratas de manos que fueron un día
flores en el jardín de un diminuto bolsillo.
Las flores son arena y los niños son hojas,
y su leve ruido es amable al oído
cuando ríen, cuando aman, cuando besan,
cuando besan el fondo
de un hombre joven y cansado
porque antaño soñó mucho día y noche.
Mas los niños no saben,
ni tampoco las manos llueven como dicen;
así el hombre, cansado de estar solo con sus sueños,
invoca los bolsillos que abandonan arena,
rena de las flores,
para que un día decoren su semblante de muerto.
Luis Cernuda (Sevilha, 21 de setembro de 1902, Cidade do México, 5 de Novembro de 1963)
manos ligeras, manos egoístas, manos obscenas,
cataratas de manos que fueron un día
flores en el jardín de un diminuto bolsillo.
Las flores son arena y los niños son hojas,
y su leve ruido es amable al oído
cuando ríen, cuando aman, cuando besan,
cuando besan el fondo
de un hombre joven y cansado
porque antaño soñó mucho día y noche.
Mas los niños no saben,
ni tampoco las manos llueven como dicen;
así el hombre, cansado de estar solo con sus sueños,
invoca los bolsillos que abandonan arena,
rena de las flores,
para que un día decoren su semblante de muerto.
Luis Cernuda (Sevilha, 21 de setembro de 1902, Cidade do México, 5 de Novembro de 1963)
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