O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Qué ruido tan triste

Qué ruido tan triste el que hacen dos cuerpos
cuando se aman,
parece como el viento que se mece en otoño
sobre adolescentes mutilados,
mientras las manos llueven,
manos ligeras, manos egoístas, manos obscenas,
cataratas de manos que fueron un día
flores en el jardín de un diminuto bolsillo.

Las flores son arena y los niños son hojas,
y su leve ruido es amable al oído
cuando ríen, cuando aman, cuando besan,
cuando besan el fondo
de un hombre joven y cansado
porque antaño soñó mucho día y noche.

Mas los niños no saben,
 ni tampoco las manos llueven como dicen;
así el hombre, cansado de estar solo con sus sueños,
invoca los bolsillos que abandonan arena,
rena de las flores,
para que un día decoren su semblante de muerto.

Luis Cernuda (Sevilha, 21 de setembro de 1902, Cidade do México, 5 de Novembro de 1963)

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Dia-a-dia #223

«Acabo de ouvir o necrófilo e insensato grito de "Viva a morte!". Isto parece-me o mesmo que "Morte à Vida". E eu, que passei a minha vida compondo frases paradoxais que despertavam a ira dos que não as compreendiam, devo dizer, como especialista na matéria, que esta me parece ridícula e repelente.» Miguel de Unamuno no discurso proferido a 12 de outubro de 1936, durante a abertura do ano lectivo na Universidade Salamanca.

domingo, 27 de julho de 2014

Dia-a-dia #222

Tomar banho na praia da Adraga este ano é diferente: para além da areia há muitas pedras a rolarem com o mar. Mergulhei e senti-as em constante movimento debaixo dos pés. E o som das ondas é também acompanhado pela voz das pedras.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Dia-a-dia #221

E passei pela Praia Grande hoje de manhã e agora tem rochas no meio do areal, que foi muito desbastado no Inverno. O mar ao longe estava lindo de bravo, mete mesmo respeitinho.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Dia-a-dia #220

E levei a gata Lua hoje de manhã ao hospital veterinário, por causa da ferida que tem no nariz, não é grave, levou as vacinas mais cedo e vai andar de capeline durante uma semana. Ela detesta. Na saída do hospital encontrei duas idosas excêntricas, cada uma com o seu gato em malas confortáveis e chiques para felinos, que de imediato meteram conversa. A Lua respondeu-lhes e uma das senhoras disse logo que sabia falar siamês, persa etc... era a que trazia um gato jeitoso dentro de uma mala com rodinhas, com uma rede por onde o podíamos ver bem instalado. Perguntei-lhe quantos gatos tem, ela respondeu-me que só se confessava ao padre, mas que aquele era o mais velho, e o mais novo estava ali com a amiga. Era um pequeno rabino dentro de uma mala cor-de-rosa do seu tamanho, e se podia ver através da rede preta. E tinha-o encontrado há 15 dias, olharam um para o outro e apaixonaram-se. Depois lá entraram para o veterinário. Eu e a gata Lua saímos de lá muito bem dispostas.