Aconteceu já alguns anos: tive o azar de apanhar um táxi e era Abril, tal como agora. Entrei e lá dentro o homem máquina já tinha uma certa idade, estava de poucas falas e ouvia a rádio renascença. Nisto passamos por um edifício que tinha a bandeira do arco-íris à porta e começou a cassete: a menina sabe que bandeira é aquela? Fiz-me de parva. O homem máquina desatou aos berros: aquilo é a bandeira dos degenerados, o Salazar é que fazia bem, mandava-os matar a todos! Na rádio orações. Mandei-o parar, paguei, saí e desejei-lhe uma santa Páscoa.
O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?
terça-feira, 15 de abril de 2014
sexta-feira, 4 de abril de 2014
terça-feira, 1 de abril de 2014
Dia-a-dia #209
Óculos novos comprados na farmácia, a médica do Hospital Sta Maria disse que não precisava de fazer novos, é muito mais barato. Vejo pior ao perto o que é normal, mas esta coisa de desfocar e ficar com um olho virado para a merda e outro para o infinito afinal é ao longe e cansa imenso. Anda tudo ao contrário com os meus olhos, e isto de desfocar é um massacre. Mas vou voltar a fazer fisioterapia para me defender, agora em Sta Maria. Não é peta, com os óculos novos mesmo assim está tudo muito nítido.
sexta-feira, 28 de março de 2014
quinta-feira, 27 de março de 2014
domingo, 23 de março de 2014
Dia-a-Dia #208
O 2ºFestival Mal Dito está de parabéns: estive em Coimbra dia 21 e 22, os eventos foram belíssimos e bem organizados. Tudo começou no ano passado com o pequeno grupo de amigos que se juntou em torno da poesia e organizaram o Festival em tempo record, sem apoios institucionais. Este ano manteve-se o espírito, onde a partilha é central e mais uma vez houve público em todos os eventos a que assisti: lançamentos de livros, apresentações e leituras em vários sítios da cidade. Destaco ontem o salão Brasil cheio para o debate com o mote " A música, antes de qualquer coisa", que juntou Adolfo Luxúria Canibal , Bruno Béu e Francisco Amaral em torno da relação entre poesia e música, moderado pelo professor Osvaldo Silvestre. Um dos mais belos momento do festival foi dia 21, no café Sta Cruz à noite: Isaque Ferreira não leu apenas, ele respirou, viveu e encarnou POESIA. Momento inesquecível foi sem dúvida também dia 21, na Livraria Miguel de Carvalho, o lançamento de "Ranço" de Jorge Aguiar Oliveira, publicado pela Companhia das Ilhas: o autor referiu que a sua poesia é autobiográfica e não tem rodriguinhos. E leu o poema "O inútil pirilau de Vanetti Greta" em homenagem a um travesti que trabalhou na associação Abraço, onde o conheceu pessoalmente. O poema foi escrito após saber da sua morte com SIDA. A leitura do autor cortou-me a respiração ou deixou-me sem palavras.
segunda-feira, 17 de março de 2014
Natureza-Morta Social #91
O conceito
“natureza-morta” existe nas línguas latinas, enquanto nas línguas germânicas e
anglo-saxónica, “still-life” se
relaciona com vida: a origem de “still”
é “stend” que significa estar parado.
O poeta Daniel Falb confessou-me recentemente que ao utilizar o conceito “social
still-life” na sua poesia, relacionava-se com o facto de não querer escrever
poesia narrativa, mas procurar escrever “atemporais naturezas-mortas”, que na
sua língua remetem mais para instante vivo. A meu ver, a interpretação que desenvolvi
em torno do tema resultou em imagens que se aproximam mais do sentido “ainda vivo
social”, porque derivam sobretudo de uma reflexão sobre
elementos díspares da actualidade, onde questiono a tradição da cultura erudita
ocidental, ao desconstruir o género “natureza-morta” através da colagem e da
pintura, confrontando-a com outros elementos de proveniências várias, num
processo de metaforização, para interpelar o mundo onde habitamos e questionar
o que somos enquanto espécie humana.
Etiquetas:
da Natureza-Morta Social,
Naturezas-Mortas Sociais
Subscrever:
Mensagens (Atom)


