O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

segunda-feira, 10 de março de 2014

Poema #121


terça-feira, 4 de março de 2014

Dia-a-Dia #206


 
 
As “Vanitas” surgiram como tema do género “natureza-morta” na Europa do Norte e Países Baixos nos séculos XVI e XVII. A palavra em latim significa “vacuidade, futilidade”, sendo utilizada como sinónimo de vaidade; são pinturas que se referem à insignificância da vida terrena e ao carácter efémero da vaidade. As “Vanitas” são compostas geralmente por caveiras que representam a morte, associadas a outros elementos presentes nas “naturezas-mortas”, como instrumentos musicais, frutas, flores e borboletas, simbolizando a natureza efémera da vida. Por vezes também surgem representadas frutas apodrecidas simbolizando a decadência, relógios e ampulhetas representando a brevidade da vida ou um limão descascado que como a vida, pode ser atrativo a quem olha, mas amargo para quem experimenta. Pintura de Pieter Claesz (1590 - 1661) – “Vanitas com violino e bola de vidro”. Germanisches Nationalmuseum, Nuremberg.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Dia-a-dia #205


A “natureza-morta” é um género que surgiu com a invenção da pintura a óleo no século XV. Na idade média não aparecia ainda como género autónomo, apesar de nos manuscritos medievais góticos, surgirem representações de “naturezas-mortas”. O conceito “natureza-morta” existe nas línguas latinas, em quanto nas línguas germânicas e anglo-saxónica, “still-life” se relaciona com vida: a origem de “still” é “stend” que significa estar parado. Em Espanha foi também utilizado o termo “Bodegó” nas representações de alimentos, que vem do espanhol “bodegon”, que significa taberna. “Cesto de Frutas” (1595-96) de Caravaggio foi a primeira pintura autónoma do género “natureza-morta”: trata-se de um “tromp’oil” representando um cesto de frutas, como as que surgiram na época, onde esta técnica é utilizada para criar uma transição entre o espaço do quadro e o observador. Durante o barroco, este género representou objectos preciosos, loiças, frutas descascadas, com o instantâneo, onde uma situação ganha uma dimensão infinita através da pintura. Na Europa do Norte do século XVII, o género desenvolveu-se representando a abundância, apesar de no geral ser visto como menor pelas academias oficiais: surgiram as “naturezas com mesa posta”, representações associadas à situação social da classe média, que estava ligada ao comércio e era mais rica que nos países latinos. Muitas “naturezas-mortas” tinham um sentido moral acentuado, usando as representações dos frutos e flores em termos simbólicos, e os insectos apelando à efemeridade humana. A representação de casulos, lagartas e borboletas simbolizavam o ciclo de vida e de morte. Tema também frequente nas “naturezas-mortas” são as “Vanitas”, que se referem à vaidade, tratando-se de representações onde contrasta o corporal e o espiritual, representações com a presença de uma caveira e outros objectos presentes nas “naturezas-mortas”.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Poema #120

Raio de Luz

Burgueses somos nós todos
ou ainda menos.
Burgueses somos nós todos
desde pequenos.

Burgueses somos nós todos
ó literatos.
Burgueses somos nós todos
ratos e gatos.

Burgueses somos nós todos
por nossas mãos.
Burgueses somos nós todos
que horror irmãos.

Burgueses somos nós todos
ou ainda menos.
Burgueses somos nós todos
desde pequenos.

Mário Cesariny – "Nobilíssima Visão "(1945-46)

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Poema #119

CRUELDADE BABY DÓ

não esquecer
                     todos
os assassinos
criminosos ladrões traficantes
vigaristas manipuladores
torturadores pederastas
néscios viscosos invasores
e etc e tal foram... crianças
que segundo uns quantos
cruéis trapaceiros
dizem ser
                  o melhor da vida

Jorge Aguiar Oliveira - "Ranço" (Companhia das Ilhas, lda), 2014. p.34.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Dia-a-dia #204

1ª Sinfonia de Mahler: hoje em versão de câmara na reabertura do grande auditório da Gulbenkian. Nada a dizer da interpretação rigorosa, escutei com atenção o depuramento, mas senti falta do corpo sinfónico, sobretudo na última parte. Ia preparada para a versão de câmara, foi novo em relação ao que conheço, mas prefiro os contrastes da bipolaridade ou tripolaridade sonora, que só uma máquina instrumental a trabalhar a todo o vapor pode dar numa sinfonia de Mahler. Por alguma razão ele foi maestro, apesar de também compor outras peças mais intimistas. Limpeza sim, mas sou uma preconceituosa. Prefiro as versões sinfónicas, porque aquilo é bom quando na calma surge a tempestade, quando o lirismo é alternado com o mórbido, quando se sente o cómico-trágico. Assim sem contrastes foi higiénico e soube-me a pouco.