O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?
sábado, 25 de maio de 2013
Dia-a-dia #189
E depois de uma semana onde estive tão concentrada que me esqueci dos óculos em casa, da chaves de casa na biblioteca, não sei onde param vários livros, mas devem estar aqui perto em casa algures, perdi o cartão do metro, hoje marquei mal três vêzes o código do MB e a máquina comeu-o; quer dizer, eu achava que o número estava correcto, mas já não tenho a certeza de nada
sexta-feira, 24 de maio de 2013
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Dia-a-dia #187
Hoje quando cheguei à biblioteca reparei que me esqueci dos óculos: os de sol não, ainda os tinha na cabeça, os de ver. Como era cedo e o Nuno estava sentado ao meu lado, resolvi deixar o computador e a mala e voltar a casa para os ir buscar. Foi um passeio agradável, mas quando cheguei à porta de casa, reparei que no bolso das calças estava a carteira, mas não tinha as chaves. Voltei para a biblioteca e o Nuno a gozar só dizia: isso é poesia invisual. Não vou tão longe, mas as coisas estão desfocadas.
Ilustração #38
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Eis o país
de há dois mil e duzentos anos
que não sei se agoniza,
os pequenos países hoje são
paisagens na Web
isentas de sinais,
mas sinto a predação,
ameaça tocada pelo vento sul
que traz a chuva e as más novas
e alaga o susto,
muito depois de Galba ter passado
na serra ali defronte.
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Nuno Dempster - "Uma Paisagem na Web". Lisboa: &etc, 2013
Ainda não tenho o livro nas minhas mãos para o qual tive o previlégio de contribuir com a imagem da capa. Em breve estará nas livrarias.
domingo, 19 de maio de 2013
Leituras #33
“Por estas e por outras, dizia
Juromanha que o poeta (Luís de Camões) devia ser excessivamente guloso de
galinhas; e «que de uma vez alguns fidalgos com quem tinha amizade, para
despertaram a sua musa jocosa, lhe faziam promessa, em troco de versos, de
algumas aves desta espécie, fingindo faltar-lhe às vezes com o prometido para
lhe arrancar ditos espirituosos e chistosos».“ José Quitério - «Camões e a
mesa» in Histórias e Curiosidades
Gastronómicas. Lisboa: Assírio & Alvim, 1992.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Poema #113
Com a Inês Ramos no Edita Nómada (11-05-2013) a ler poemas do Rui Costa, aqui fica o que li
A MÚSICA
A música partilha com a flor
a carne que se alaga como um copo.
A música é um rizoma atómico
cheia de sílabas grossas e finas
no peito maduro da onda.
Por isso a onda cai e a flor
também. E se te digo sei que ficas
triste e é quando substituis essa
geração de força por dois pequenos
vasos à entrada do teu dorso (e qual
és tu e qual sou eu é uma haste subindo)
Do teu lado esquerdo é dia.
O vestido é branco e aponta
a cidade a que chegas com os
dedos, rodando os ombros mas
não a cabeça. O teu olhar
é uma ferida musical sem verbo fixo:
a penumbra bate às vezes na
pálpebra, outras na imaginação.
A queda gera o seu próprio
impulso, como se fosse o preen-
chimento de uma forma: chama-se amor
e serve para os ouvintes ouvirem o esbracejar
do desejo, esses versos de asa silenciosa-
ouves?
Há poetas azuis que julgam que a
coerência é um pardal azul (da goela
até aos pés). Normalmente limpam os óculos
com coerência, em vez de com (efim)
e depois veêm o mesmo pardal, a todas
as horas do dia e da noite, sentado azul-
mente sobre o seu nariz.
Rui Costa - "O pequeno-almoço de Carla Bruni". Huelva: Ayuntamiento Punta Umbría, Colección Palavra Ibérica, 2008.
domingo, 12 de maio de 2013
Dia-a-dia #186
Sonhei que a água corria desenfrida nas calçadas da cidade branca das muralhas e que a origem estava num ribeiro no tôpo da rua D. Isabel. A água descia furiosa rua abaixo e continuava a correr em direcção ao aqueduto, passando pela casa de uma amiga de infância, onde no passado muitas vezes a visitei. Quando acordei consegui ver os flashes da água a correr, eram imagens extraordinárias e foram muitas as associações que lhes fiz. Na realidade, não existe nenhum ribeiro no tôpo da rua D. Isabel, mas ver as arcadas da rua com a furia das águas foi qualquer coisa. Lembrei-me depois que a minha amiga me contou que a casa do aqueduto vai entrar em obras, porque o irmão vai para lá viver. Vou-lhe telefonar.
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