O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Primavera #6



Love Mrs. Miller, a vovó pop mais querida do mundo!

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Poema #104

CASA DA MISERICÓRDIA

O pai fuzilado.
Ou, como diz o juiz, executado.
A mãe, a miséria e a fome,
a instância que alguém lhe escreve à máquina:
Saludo al vencedor, Segundo Año Triunfal,
Solicito a Vuecencia deixar os filhos
nesta Casa da Misericórdia.

O frio do seu amanhã está numa instância.
Os orfanatos e hospícios eram duros,
mas ainda mais dura era a intempérie.
A verdadeira caridade dá medo.
É como a poesia: um bom poema,
por mais belo que seja, tem de ser cruel.
Não há mais nada. A poesia é agora
a última casa da misericórdia.

Joan Margarit - "Casa da Misericórdia"(tradução de Rita Custódio e Àlex Tarradellas). Entrocamento: OVNI, 2009.

Natureza-Morta Social #38


Dia-a-dia #179


E a Primavera veio a chover em força, o verde está molhado. Assim nem estou mal das alergias, já que em caso de sequeiro espirrava por causa de tudo  quanto é belo. E aparecia logo a grande Natália de Andrade. Por enquanto, vou-me lembrando de Rimbaud, de beber uma cerveja no inferno na versão Cesariny. E nem posso beber cerveja por causa do gás, das dores de estômago que provoca. A beleza afinal é amarga. Infelizmente, desde cedo a natureza mostrou-me isso, não apenas na pele como se costuma dizer, mas chegou a atacar-me os ouvidos. Porque o que se vê nem sempre é bom de ouvir. O ouvido é o órgão do medo, já dizia o outro, não me apetece citar mais ninguém. Já basta as notas-de-roda-pé que escrevi hoje. E tudo começa sempre em dores de cabeça. Mas a medicina, entretanto, inventa mais umas belas drogas, que funcionam como muletas invisíveis no dia-a-dia. E o Rimbaud, novamente, a Primavera, o riso do idiota, chove a valer. E a chave podia fechar o Inverno, uma chave de fendas, esburacada e generosa. Em vez de ser desbocada, fechava o passado, parava esta chuva e o sol aparecia. Também conheci o abraço do sol de Inverno e sei que não vai voltar. Vou fechar a porta à chave para poder dormir descansada. Sei que não posso ter tudo, mas não é por isso que deixo de ter bons sonhos. Sonhos muito verdes e solarengos, sem espirros, nem dores de cabeça, com o sabor da cerveja que a drástica não suporta, dos quais sou acordada pelo riso do idiota. Breves instantes que tento prolongar no espaço. Espaço interior não me falta, tenho essa liberdade. E o verde molhado de hoje à tarde cansou-me, deixou-me o cérebro enublado. Já nem oiço o riso. Boa noite.

terça-feira, 2 de abril de 2013

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Poema #103

QUANDO DORMEM de Rolf Jacobsen (1907-1994)

Versão de HMBF AQUI

Natureza-Morta Social #36