O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Dia-a-dia #136

Esta coisa de passar por anestesias gerais em operações tem que se lhe diga: na primeira operação onde fui submetida a isso, recordo-me que me fizeram perguntas que fui respondendo, do tipo mede 1.60, pesa xkg e etc... e no meio daquilo pediram-me para pensar numa ilha bonita, a que respondi que me estava a lembrar da  Ilha Farol na Ria Formosa. Lembro-me ainda que me perguntaram porque não pensava numa ilha nas Caraíbas e de responder que nunca lá tinha ido. Provavelmente adormeci e sonhei com a Ilha do Farol. Na operação da semana passada perguntaram-me as coisas do costume e no meio daquilo alguém comentou: tem a tensão 10-5 e a pulsação cardiaca a 70, tem um coração forte, isso é de corredora de fundo, pratica algum desporto? Eu respondi que não, que tenho de facto sempre a tensão baixa e o meu exercício cardiovascular é andar a pé. Ainda me lembro de perguntarem pelos meus 75 kg de peso e responder que estava correcto. Depois adormeci, provalvelmente sonhei que passeava nas ruas de Lisboa,  que é um dos pequenos  prazeres que tenho no dia-a-dia. E de certeza que estava confiante no meu coração de corredora de fundo para aguentar tudo.

domingo, 2 de dezembro de 2012

sábado, 1 de dezembro de 2012

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Natureza-Morta Social #6





 


Dia-a-dia #134

 
Hoje quando cheguei à Assembleia da República, fiquei surpreendida: estavam muitas pessoas com velas nas mão, uma aparelhagem tocava Bach bem alto. E lá encontrei a Ana Maria , a Rosa Maria, a Abigail, a Teresa da vígilia pela paz e fiquei a saber que ali estava também o protesto do pessoal dos restaurantes. Junto à aparelhagem um pequeno grupo mandava o Relvas estudar. Pensei que eles é que tinham levado a música, mas depois percebi que não. Foi o pessoal da restauração, que e assim protestavam contra o IVA a 23%. Também traziam cartazes, velas e ofereceram-nos café da avó (estava um frio de rachar), uns sonhos deliciosos e sopa. Conheci os filhos da Rosinha, que estavam deliciados a bricaram com as velas, tenho um palpite que o evento lhes vai ficar nas memórias de infância. No chão das escadas as velas desenhavam a palavra dignidade. Não foi necessário gritar ao som de Bach, e achei o momento maravilhoso.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Poema #87

A MINHA QUERIDA PÁTRIA

a pátria
os camões
os aviões e os gagos-coutinhos
coitadinhos

a pátria
e os mesmos
aldrabões
...
recém chegados
à democracia social
era fatal

a pátria
novos camões
na governança
liderando
as mesmas
confusões
continuando

mesmo assim
as velhas tradições
de mau latim
da Eneida

enfim
sabem que mais?
pois
vou da peida

Mário-Henrique Leiria - " Novos Contos do Gin"