O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?
sábado, 22 de setembro de 2012
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Dia 21 de Setembro em Belém
Um coro de 400 pessoas vai amanhã oferecer música ao conselho de estado! E para que não restem dúvidas do que devem fazer, vamos presenteá-los com o Acordai do Fernando Lopes-Graça.
Hora de encontro: 17:30
Ponto de Encontro: fonte luminosa/CCB
Para melhor orientação sugere-se vestir uma t-shirt de uma cor diferenciada por naipe. BRANCO - sopranos; VERMELHO - Contraltos; AZUL - Tenores; PRETO - Baixos.
Se puderem, levem cópias da partitura. Ou só do texto.
Hora de encontro: 17:30
Ponto de Encontro: fonte luminosa/CCB
Para melhor orientação sugere-se vestir uma t-shirt de uma cor diferenciada por naipe. BRANCO - sopranos; VERMELHO - Contraltos; AZUL - Tenores; PRETO - Baixos.
Se puderem, levem cópias da partitura. Ou só do texto.
Austeridade: “Acordai” é a banda sonora da concentração em Belém
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Para aprender o ACORDAI
A partitura está aqui
Quem quiser ser massacrado com midis para ouvir a sua voz, pode ir aqui: http://www.comsonante.org/sites/default/files/acordai_1.pdf
E no youtube há algumas boas versões, como esta
A letra faz parte da descrição do evento. Seria bom imprimir e levar para distribuir.
Quem se junta à minha voz?
No dia 21 de Setembro, data do próximo evento da comunidade "Que se lixe a troika" ... que se "acendam almas e sóis neste mar sem cais"!
Local de encontro: Escadaria que dá para a fonte em frente ao CCB a partir das 17h30m
ACORDAI
Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras e o mar
o mundo e os corações
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
José Gomes Ferreira
Quem quiser ser massacrado com midis para ouvir a sua voz, pode ir aqui: http://www.comsonante.org/sites/default/files/acordai_1.pdf
E no youtube há algumas boas versões, como esta
A letra faz parte da descrição do evento. Seria bom imprimir e levar para distribuir.
Quem se junta à minha voz?
No dia 21 de Setembro, data do próximo evento da comunidade "Que se lixe a troika" ... que se "acendam almas e sóis neste mar sem cais"!
Local de encontro: Escadaria que dá para a fonte em frente ao CCB a partir das 17h30m
ACORDAI
Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras e o mar
o mundo e os corações
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
José Gomes Ferreira
Dia 21 de Setembro vamos cantar em Belém
Vamos cantar ACORDAI de José Gomes Ferreira e Fernando Lopes-Graça. O ponto de encontro é a partir das 17h30m na escadaria que dá para a fonte em frente ao CCB.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Dia-a-dia #114
Hoje de manhã fizeram-me uma colonoscopia: correu tudo lindamente, foi com anestesia e sedação, estava a dormir. Lembro-me que quando acordei relatei ao médico que tinha sonhado que a gata Lua tinha a solução para a actual crise mundial - especifiquei que era a minha gata siamesa. Que moca, acordei mesmo bem disposta!
sábado, 21 de julho de 2012
Leituras #28
Antes de deixar Coimbra, primeiro
para, no Porto, leccionar num liceu da cidade, depois, já professor efectivo,
para ensinar português e francês no liceu Mouzinho da Silveira, em Portalegre,
José Régio viveu, na Alta, não longe da Rua Larga, ao tempo a antecâmara da
Universidade, num desses típicos becos coimbrões, chamado, não sei porquê, Rua
das Flores. De facto, flores não havia por ali, por aquele bairro de calçadas
esboroadas, e muito menos as havia na pensão habitada pelo poeta, onde se
instalara a primeira redacção da presença.
(Mais tarde, em minha casa, em Santo António dos Olivais, e, por fim, depois de
um efémero rés-do-chão, para esse efeito expressamente alugado na Rua do Corpo
de Deus, à Baixa, no Porto, em casa de Adolfo Casais Monteiro.)
A pensão da Rua das Flores, 37, que
suponho lá estará ainda, senão como pensão, como república ou casa particular,
era um prédio alto – três andares – , muito estreito, quase enviesado, com duas
janelas de frente, em guilhotina, claro está, e com pouco fundo, espécie de
torre por onde trepava uma escada íngreme, de degraus carunchosos, que era
preciso subir com muita cautela, tal a sua inclinação.
Ali José Régio passou, creio, os
anos da sua formatura, e ali permaneceu ainda, com quarto privativo, algum tempo
depois, aluno da Normal Superior. Prendiam-no lá, além da dona da casa, que não
cheguei a conhecer, a criada para todo o serviço, a Carlota, modelo do desenho
que ilustra a capa do número 22 da presença
(Setembro-Novembro de 1929). Esta Carlota, «a que ficou sem par», na legenda do
esquisso que Régio me ofereceu, e ainda conservo, tinha pelo Zé-Maria uma
dedicação de cadela, embora não poucas vezes lhe arreganhasse caninamente os
dentes. Rebarbativa e terna a um tempo, a Carlota levava os dias a lidar e a
praguejar. Algumas vezes, sentada à mesa do refeitório da pensão – em parte
modelo também da pensão de D. Felícia do Jogo
da Cabra Cega –, pude assistir às reprimendas que a Carlota se não escusava
de lhe dar, e Régio como que espicaçava, enquanto ele e os demais hóspedes –
uns quatro ou cinco, julgo lembrar-me – comiam a clássica sopa de couves das
velhas pensões coimbrãs. Tão alheio a qualquer conceito de higiene era, por
esta altura, o viver dos estudantes em Coimbra, que a pensão da suposta D.
Felícia nem mesmo dispunha de qualquer rudimentar casa de banho – que digo?,
não dispunha, sequer de um W.C. No sótão, esconso, de telha-vã, é que os
comensais resolviam os seus problemas, e num mesmo vaso, um alto bispote, como
então se chamava a essa espécie de tulha de barro, de proporções reduzidas,
«sanita» comum. Aí, nesse sótão de telha-vã, W.C. da pensão da suposta D.
Felícia, é que José Régio arrecadava as sobras da presença, antes do meu regresso a Coimbra. Ora como, ao tempo, a
nossa «folha de arte e crítica» era impressa no tal papel acetinado, como que
de farmácia, e a ruma de folhas se acumulavam, imprudentemente, não longe do
tal vaso higiénico – ou anti-higiénico –, aconteceu o que era de esperar.
Alguns dos comensais da suposta D. Felícia, para não irem mais longe, e à falta
de papel higiénico, luxo então desconhecido em Coimbra, pelo menos na Coimbra
dos estudantes, muito à vontade, na altura própria, deitavam mão aos números da presença, abertos no soalho, em folhas
devidamente acamadas, completando com elas, graças à sua acetinada calandra, a
operação que ali iam fazer, ao sótão de telha-vã. Assim rarearam, a partir de
certa data, os exemplares da nossa folha. Creio que Régio não dera por isso. Só
deram por isso os que depois – Branquinho e eu – chamaram a si a administração
da revista. Já era tarde. Mal empregados, vendem-se hoje esses números a peso
de oiro.
João Gaspar Simões – José Régio e a História do Movimento da “Presença”. Porto: Brasília Editora, 1977. pp.78-80.
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