O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Para aprender o ACORDAI

A partitura está aqui
Quem quiser ser massacrado com midis para ouvir a sua voz, pode ir aqui: http://www.comsonante.org/sites/default/files/acordai_1.pdf
E no youtube há algumas boas versões, como esta

A letra faz parte da descrição do evento. Seria bom imprimir e levar para distribuir.

Quem se junta à minha voz?
No dia 21 de Setembro, data do próximo evento da comunidade "Que se lixe a troika" ... que se "acendam almas e sóis neste mar sem cais"!
Local de encontro: Escadaria que dá para a fonte em frente ao CCB a partir das 17h30m

ACORDAI

Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras e o mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!

José Gomes Ferreira




Dia 21 de Setembro vamos cantar em Belém



Vamos cantar ACORDAI de José Gomes Ferreira e Fernando Lopes-Graça. O ponto de encontro é a partir das 17h30m na escadaria que dá para a fonte em frente ao CCB.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Dia-a-dia #114

Hoje de manhã fizeram-me uma colonoscopia: correu tudo lindamente, foi com anestesia e sedação, estava a dormir. Lembro-me que quando acordei relatei ao médico que tinha sonhado que a gata Lua tinha a solução para a actual crise mundial - especifiquei que era a minha gata siamesa. Que moca, acordei mesmo bem disposta!

sábado, 21 de julho de 2012

Leituras #28


Antes de deixar Coimbra, primeiro para, no Porto, leccionar num liceu da cidade, depois, já professor efectivo, para ensinar português e francês no liceu Mouzinho da Silveira, em Portalegre, José Régio viveu, na Alta, não longe da Rua Larga, ao tempo a antecâmara da Universidade, num desses típicos becos coimbrões, chamado, não sei porquê, Rua das Flores. De facto, flores não havia por ali, por aquele bairro de calçadas esboroadas, e muito menos as havia na pensão habitada pelo poeta, onde se instalara a primeira redacção da presença. (Mais tarde, em minha casa, em Santo António dos Olivais, e, por fim, depois de um efémero rés-do-chão, para esse efeito expressamente alugado na Rua do Corpo de Deus, à Baixa, no Porto, em casa de Adolfo Casais Monteiro.)

A pensão da Rua das Flores, 37, que suponho lá estará ainda, senão como pensão, como república ou casa particular, era um prédio alto – três andares – , muito estreito, quase enviesado, com duas janelas de frente, em guilhotina, claro está, e com pouco fundo, espécie de torre por onde trepava uma escada íngreme, de degraus carunchosos, que era preciso subir com muita cautela, tal a sua inclinação.

Ali José Régio passou, creio, os anos da sua formatura, e ali permaneceu ainda, com quarto privativo, algum tempo depois, aluno da Normal Superior. Prendiam-no lá, além da dona da casa, que não cheguei a conhecer, a criada para todo o serviço, a Carlota, modelo do desenho que ilustra a capa do número 22 da presença (Setembro-Novembro de 1929). Esta Carlota, «a que ficou sem par», na legenda do esquisso que Régio me ofereceu, e ainda conservo, tinha pelo Zé-Maria uma dedicação de cadela, embora não poucas vezes lhe arreganhasse caninamente os dentes. Rebarbativa e terna a um tempo, a Carlota levava os dias a lidar e a praguejar. Algumas vezes, sentada à mesa do refeitório da pensão – em parte modelo também da pensão de D. Felícia do Jogo da Cabra Cega –, pude assistir às reprimendas que a Carlota se não escusava de lhe dar, e Régio como que espicaçava, enquanto ele e os demais hóspedes – uns quatro ou cinco, julgo lembrar-me – comiam a clássica sopa de couves das velhas pensões coimbrãs. Tão alheio a qualquer conceito de higiene era, por esta altura, o viver dos estudantes em Coimbra, que a pensão da suposta D. Felícia nem mesmo dispunha de qualquer rudimentar casa de banho – que digo?, não dispunha, sequer de um W.C. No sótão, esconso, de telha-vã, é que os comensais resolviam os seus problemas, e num mesmo vaso, um alto bispote, como então se chamava a essa espécie de tulha de barro, de proporções reduzidas, «sanita» comum. Aí, nesse sótão de telha-vã, W.C. da pensão da suposta D. Felícia, é que José Régio arrecadava as sobras da presença, antes do meu regresso a Coimbra. Ora como, ao tempo, a nossa «folha de arte e crítica» era impressa no tal papel acetinado, como que de farmácia, e a ruma de folhas se acumulavam, imprudentemente, não longe do tal vaso higiénico – ou anti-higiénico –, aconteceu o que era de esperar. Alguns dos comensais da suposta D. Felícia, para não irem mais longe, e à falta de papel higiénico, luxo então desconhecido em Coimbra, pelo menos na Coimbra dos estudantes, muito à vontade, na altura própria, deitavam mão aos números da presença, abertos no soalho, em folhas devidamente acamadas, completando com elas, graças à sua acetinada calandra, a operação que ali iam fazer, ao sótão de telha-vã. Assim rarearam, a partir de certa data, os exemplares da nossa folha. Creio que Régio não dera por isso. Só deram por isso os que depois – Branquinho e eu – chamaram a si a administração da revista. Já era tarde. Mal empregados, vendem-se hoje esses números a peso de oiro.
João Gaspar Simões – José Régio e a História do Movimento da “Presença”. Porto: Brasília Editora, 1977. pp.78-80.


Da esquerda para a direita: José Régio, João Gaspar Simões, Albano Nogueira, Fernando Lopes-Graça e Adolfo Casais Monteiro.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Dia-a-dia #113

A minha irmã está preocupada com a hipótese de o número de gatos aqui em casa vir a aumentar. Acha que me estou a tornar numa excêntrica que apenas vive feliz em companhia felina

terça-feira, 17 de julho de 2012

Dia-a-dia #112

Ontem já muito tarde, depois de estar todo o dia fora, apareceu o gato Sunny muito mal disposto na porta do quintal: ele entrou e dirigiu-se à caixa de areia, reparei que não conseguiu urinar. Deitou-se e refilou com miados doloridos. Já era uma da manhã, acordei a minha irmã, coloquei-o na transportadora e fomos bater à porta da dona. A minha irmã revoltada, achava que ninguém me abria a porta, mas afinal lá apareceu a Ângela e também duas gatinhas bebés muito fofas. O Sunny entre o aflito e o zangado. O gato anda a embirrar com as gatinhas, por isso se passou para o outro lado do quintal e está sempre em minha casa. A Ângela lá me explicou a situação, que ele tem tendência a ter problemas urinários e que por isso come uma comida especial. E tinha tentado apanhá-lo  com as filhas, para o levarem ao veterinário, mas ele fugiu. O Sunny bufava ao colo da dona. Como sei que vão mudar de residência daqui a três meses, ainda lhe perguntei se não queriam deixar-me o gato e ouvi logo um NÃO. Bem, agora não o devo ver durante uns dias.