O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

terça-feira, 9 de junho de 2009

Diário gráfico #23




Mais páginas do diário que fiz em 1994 , durante a minha estadia em Halifax (Canadá), para ver em promenor clique nas imagens.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

No fio de Ariadne #4






Da cidade, aguarela s/papel, 21x30cm, 2008

Postado no Insónia a 26/3/2008 e publicado na Revista Big Ode#4 - Urbe, Março-Junho de 2008, clique na imagem para ler.

Textos insones #15

Limpar o pó

Contrataram-me para um evento especial num museu – isto de viver de biscates tem que se lhe diga, pelo menos vai variando; e lá fui trajada a rigor – brincos antigos de esmalte e ouro (prenda da família), saia de bom tecido, sapatos clássicos, encharpe de seda . Deparei-me então com um director que nada tinha a ver com o meu contrato e vi logo que ele era do tipo que não gosta de mulheres – já os topo pelo cheiro à distância. O dito cujo não gostou do meu saco de tecido indiano – onde transportava o cofre do dinheiro para os pagamentos, entre outras responsabilidades do evento; e não sei porquê, ele decidiu mandar-me limpar o pó das cadeiras onde as pessoas se iam sentar, entregando-me um pano com ar de nojo; calmamente, eu limpei o pó com uma classe que ele desconhece e logo a seguir levou comigo: chegaram as funcionárias do museu que me tiraram o pano das mãos, dizendo que eu não tinha que fazer aquilo. E ele que estava de braços cruzados a arrotar postas de pescada sobre a melhor disposição do material teve de me aturar a colocar ordem nos assuntos em termos práticos e sempre ao contrário das suas ordens, perante a satisfação das funcionárias. Durante o evento fui apresentada oficialmente à criatura, afirmando logo que já nos conhecíamos e ainda aproveitei para o fazer estremecer, publicamente, mais um pouco e com subtileza, porque eu limpo o pó como bebo chá ou descasco cenouras, é tudo igual.

Postado no Insónia a 27/9/2007

domingo, 7 de junho de 2009

Artes #3




Banksy "penetrou" a secção da Pop-art do Museu Ludwig em Colónia no dia 28 de Outubro de 2008 às 16h da tarde.

sábado, 6 de junho de 2009

As cinco vésperas de Salvador


I - Baptizado

Nas vésperas do seu baptizado, Salvador provou pela primeira vez a sensação de estar dentro de um fato de cerimónia; tratava-se de um vestido de seda branco com mais de um século, já usado pelos seus antepassados. Salvador sentiu-se desconfortável e apertado, por isso chorou, gritou e bolçou sobre as rendas de Bruxelas da touca, que nunca chegou a usar.

II - Comunhão

Nas vésperas da primeira comunhão, Salvador revoltado e de braços cruzados afirmou a pés juntos que não queria falar com o padre, porque não tinha pecados a confessar.

III - Serviço Militar

Nas vésperas de cumprir o serviço militar, ou seja, no dia da inspecção, Salvador foi dado como inapto, devido às medidas do seu corpo ultrapassarem largamente os padrões previstos no fabrico das fardas e botas de tropa.

IV - Casamento

Nas vésperas do casamento, a mãe do Salvador recomendou-lhe que mandasse fazer um bom fato escuro para a cerimónia, dos que duram a vida inteira. Salvador achava que era melhor comprar um fato preto, porque assim também o poderia usar nos funerais. A sua mãe disse-lhe que não queria ninguém vestido de preto no dia do seu funeral.

V - Funeral

Nas vésperas da sua morte, Salvador avisou a família de que o poderiam vestir, finalmente, com o seu melhor fato preto, aquele que teve de usar em todas as cerimónias importantes e oficiais na sua vida adulta.

Hoje lembrei-me destas micros que estão no nº1 da Minguante dedicado ao Banal

Diário gráfico #22




Mais páginas do diário que fiz em 1994 , durante a minha estadia em Halifax (Canadá), para ver em promenor clique nas imagens.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Dia-a-dia #11

Hoje o dia foi do pior: choveu de manhã por isso não foi impossível começar a limpar o quintal, o computador avariou, mas à tarde descobri com o técnico que afinal foi o teclado que foi à vida, do mal o menos, por fim fui comprar material e dei cabo das costas a carregar um saco de areia. Tudo ao contrário, como diz a filha de uns amigos meus, o mundo não é como tu queres. O que vale é que a minha irmã comprou um gelado de chocolate, está ali no congelador, vou desforrar-me.