O que procuro em ti, eco ou planície, que não me respondes? Porque devolves apenas a minha voz?

sábado, 2 de maio de 2009

Portefólio #1




Em 1992 produzi o diário gráfico que tenho colocado aqui imagens e também fiz a minha primeira instalação intitulada Master Mind: procure as cores que lhe vão na alma. O meu trabalho artístico não começou nesta instalação, mas tenho o portefólio organizado a partir desta data. Anteriormente, apenas pintava, estudava pintura no Ar.co desde 1987, onde tinha tido aulas com o Ivo e o José Mouga e frequentava também as Belas-artes desde 1989. Em 1992, chateei-me mesmo com as Belas-artes e só lá voltei em 1995 para estudar escultura. Estava no Ar.co a tempo inteiro, a ter aulas de desenho com o João Queiroz e o Miguel Branco, que me orientaram este projecto; todo ele nasceu nas aulas em conversas animadas, a ideia era criar algo diferente no espaço do bar da escola. Lembrei-me de pegar no Master Mind, jogo onde se escondem quatro cores, repetidas ou não e que através de etapas lógicas se podem descobrir, quem esconde dá as pistas através de peças brancas – que significam cor certa em sitio certo – e peças pretas – cor certa em sitio errado. Utilizando o desenho, construi paneis compostos por círculos de cores, com cinco ou seis etapas lógicas por jogo, que permitiam a quem as visionava, encontrar quais as cores escondidas. Depois projectei os paneis de forma a estarem distribuídos pelo espaço do bar, que muitas vezes era utilizado para exposições, os círculos de cores foram recortados em papel de lustro e colados nas paredes, com a enorme ajuda dos meus colegas. Assim, quem frequentava aquele sítio, sobretudo à hora do almoço onde havia sempre fila de pessoas à espera, podia estar a resolver os enigmas. Foi muito divertida toda a experiência, na altura tinha 21 anos.


sexta-feira, 1 de maio de 2009

Dia-a-dia #6




Alguém veio parar ao Eco pesquisando no Google " Lógica não-aristotélica" e deparou-se com o vídeo onde Mário Viegas lê um poema de Mário Henrique-Leiria com esse título. Também já cá vieram parar pesquisando " Eco máquina" e viram um vídeo de um filme de Fellini. Deduzo que o Eco tem conteúdos sofisticados.

Diário gráfico #3





Mais páginas de um pequeno diário que fiz em 1992, para ver em promenor clique nas imagens.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Diário gráfico #2




Mais páginas de um pequeno diário que fiz em 1992, para ver em promenor clique nas imagens.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Diário gráfico #1





As primeiras páginas de um pequeno diário que fiz em 1992, para ver em promenor clique nas imagens.

Leituras #11


Continuo com as palavras do homem da montanha no seu Portugal, sobre Évora:

“ Aproveitando os incentivos do meio e os recursos do seu génio, o alentejano faz milagres. A própria paisagem sem relevo o estimula. Faltava ali o desenho e a arquitectura, que nas outras províncias existem na própria natureza. Pois bem: concebeu ele o desenho e a arquitectura. E, na mais rasa das planícies, ergueu essa flor de pedra e de luz que é Évora!
Beja tem a sua torre de mármore para ver meio Portugal; Portalegre os seus palácios barrocos, para encher de solidão; Elvas o seu aqueduto de sede arqueada e a sua feiura para meter medo aos Espanhóis; Estremoz a sua praça do tamanho de uma herdade. Mas Évora olha do alto do seu zimbório espelhado, povoa as casas de lembranças vivas e gloriosas, e, sequiosa apenas do eterno, risonha e aconchegada, enfrenta as agressões do transitório com a força da beleza e a amplidão do espírito.
Será talvez alucinação do poeta. Mas porque nela se documenta inteiramente a génese do que somos, o que temos de lusitanos, de latinos, de árabes e de cristãos, e se encontra registado dentro dos seus muros o caminho saibroso da nossa cultura, – se estivesse nas minhas mãos, obrigava todo o português a fazer uma quarentena ali. Uma lei pública devia forçá-lo a entrar na cidade a desoras, numa noite de luar. E, sem guia, mandá-lo deambular ao acaso. Seria um filme maravilhoso da história pátria que se lhe faria ver, com grandes planos, ângulos imprevistos, sombras e sobreposições. Uma retrospectiva do que fizemos de melhor e mais puro no intelectual, no politico e no artístico. Só de manhã seria dado ao peregrino confirmar com a luz do sol a luz do écran. E se ao cabo da prova não tivesse sentido que num templo de colunas coríntias se pode acreditar em Diana, numa Sé românica se pode acreditar em Cristo, e num varandim de mármore se pode acreditar no amor, seria desterrado.”

In Miguel Torga, Portugal, Edição do autor, Coimbra 1957, p-124-126.

A sugestão da quarentena parece-me bem, para mim não porque nasci e vivi cerca de 16 anos dentro daquelas muralhas, estou como o Obélix em relação à poção mágica, mas experimentem, como diria o Almada “ Coragem portugueses, só vos faltam as qualidades”.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

No Escara Voltaica

O Pedro S. Martins postou um poema com ilustração aqui da casa. Obrigada.